Foto: Reprodução

A Universidade de São Paulo (USP) acaba de apresentar a PocketFab, um marco na produção de semicondutores: a primeira fábrica de chips portátil, modular e com foco em sustentabilidade do mundo. A iniciativa visa consolidar o Brasil no competitivo mercado global de chips, um setor vital para a economia e segurança nacional.

PocketFab: Menor, Modular e Acessível para a Inovação em Semicondutores

Desenvolvida em parceria com a indústria, Fiesp e Senai no ambiente do InovaUSP, a PocketFab propõe uma alternativa disruptiva às tradicionais e custosas fábricas de semicondutores. Em vez de estruturas gigantescas, a USP aposta em um modelo compacto e reconfigurável que aproxima a pesquisa, startups e a indústria da fabricação de chips. Essencialmente, a PocketFab funciona como uma linha piloto que integra etapas críticas de produção em módulos compactos, tornando o acesso a processos avançados de fabricação mais viável, sem a necessidade de investimentos bilionários.

A tecnologia abrange desde a concepção de circuitos até o empacotamento final, incluindo técnicas de micromanufatura, litografia, metalização e a inovação em “chiplets” (combinação de múltiplos chips menores em um único sistema). Módulos de salas limpas, estações de teste e metrologia garantem a qualidade, permitindo o desenvolvimento de chips para inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT), sensores e aplicações em saúde e automação. Com uma capacidade inicial de cerca de 20 wafers por dia, a PocketFab foca em pesquisa, prototipagem e produção em escala para inovação, não em competir com grandes fabricantes globais.

Soberania Tecnológica e Sustentabilidade Guiam o Projeto PocketFab

Em um cenário global marcado pela vulnerabilidade das cadeias de suprimentos de chips, exposta pela pandemia, a PocketFab surge como resposta estratégica. A USP argumenta que as fábricas tradicionais geram alto impacto ambiental e custos elevados. A PocketFab, por outro lado, busca reduzir o consumo de energia, água e produtos químicos, além de demandar menor espaço para salas limpas. O projeto alinha a microeletrônica com metas ambientais, abrindo caminho para a certificação de “chips verdes”.

Esta iniciativa se soma aos esforços de reconstrução da capacidade nacional em semicondutores, impulsionando a formação de profissionais, o desenvolvimento de tecnologia local e a autonomia do país em um setor estratégico. A PocketFab representa um passo significativo para o Brasil no cenário da alta tecnologia.

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