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Uma reportagem publicada pelo jornal Estadão levanta novas e significativas questões sobre as comunicações entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo. Segundo o veículo de comunicação, Moraes teria efetuado seis ligações telefônicas em um único dia ao chefe da autoridade monetária, com o objetivo de discutir o andamento da operação de aquisição do Banco Master.

A mesma reportagem detalha que, além da intensa sequência de chamadas em um dia específico, o ministro Alexandre de Moraes teria mantido contato com Gabriel Galípolo sobre o assunto em pelo menos outras quatro ocasiões distintas. Uma dessas interações teria ocorrido em um encontro presencial, evidenciando um interesse particular do magistrado na transação bancária em questão.

As informações que embasam a reportagem do Estadão foram obtidas a partir de relatos de fontes próximas ao meio jurídico e ao mercado financeiro, que teriam tido conhecimento direto das conversas entre o ministro do STF e o presidente do BC. Essa obtenção de dados por meio de testemunhos de terceiros adiciona uma camada de complexidade à narrativa, mas também reforça a gravidade das alegações.

É importante contextualizar que a notícia de um suposto interesse de Moraes na intermediação para a compra do Banco Master pelo BRB não é inteiramente nova. O jornal O Globo já havia veiculado informações semelhantes no início desta semana, gerando repercussão e expectativa por manifestações oficiais.

Diante da repercussão inicial, o ministro Alexandre de Moraes se pronunciou pela primeira vez sobre o caso na terça-feira. Pela manhã, divulgou uma nota oficial esclarecendo que uma reunião que manteve com o presidente do Banco Central tinha como pauta as consequências da aplicação da Lei Magnitsky contra ele. É relevante notar que, neste primeiro comunicado, o ministro não fez qualquer menção direta ao Banco Master.

Poucas horas depois da manifestação do ministro, o próprio Banco Central emitiu um comunicado. A nota oficial do BC confirmou a realização de reuniões entre o presidente Gabriel Galípolo e o ministro Alexandre de Moraes, reiterando que os encontros serviram para debater os efeitos da Lei Magnitsky. O comunicado do BC reforçou a versão ministerial, sem fazer menção ao Banco Master.

No entanto, a situação tomou um novo contorno na noite do mesmo dia, quando o ministro Alexandre de Moraes emitiu um segundo comunicado. Desta vez, o magistrado afirmou categoricamente que “inexistiu qualquer ligação telefônica entre ambos, para esse ou qualquer outro assunto”, contradizendo a versão que vinha sendo ventilada e, posteriormente, detalhada pelo Estadão.

Ainda em sua segunda nota, o ministro Alexandre de Moraes detalhou o cronograma de seus encontros com Gabriel Galípolo. Ele explicou que a primeira reunião ocorreu em 14 de agosto, após ter sido sancionado pelos Estados Unidos com a aplicação da Lei Magnitsky em 30 de julho. A segunda reunião, segundo o ministro, foi realizada em 30 de setembro, após a medida ter sido estendida e aplicada à sua esposa em 22 de setembro.

“Em nenhuma das reuniões foi tratado qualquer assunto ou realizada qualquer pressão referente a aquisição do BRB pelo Banco Master”, declarou Alexandre de Moraes em sua nota oficial. Ele acrescentou ainda que o escritório de advocacia de sua esposa “jamais atuou na operação de aquisição BRB-Master perante o Banco Central”, buscando desvincular qualquer conflito de interesse.

É fundamental lembrar que, em setembro, o Banco Central vetou a compra do Banco Master pelo BRB, alegando a falta de documentos que comprovassem a “viabilidade econômico-financeira” da operação. Posteriormente, dois meses após a negativa do BC, Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi detido pela Polícia Federal e está sob investigação por suspeitas de fraudes contra o sistema financeiro nacional.

A polêmica ganhou contornos ainda mais acentuados com a revelação pelo jornal O Globo de que o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes possuía um contrato milionário com o Banco Master. O acordo, segundo a reportagem, previa pagamentos mensais no valor de R$ 3,6 milhões, com vigência entre 2024 e 2027, totalizando R$ 129 milhões. A existência deste contrato levanta questionamentos sobre a imparcialidade e a separação de interesses no caso.

Fonte: CNN Brasil

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