WASHINGTON – A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, controlada pelos republicanos, está pronta para votar nesta terça-feira a liberação dos arquivos do Departamento de Justiça relacionados ao falecido criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein. Esta iniciativa surge como um marco em uma questão que tem gerado atrito entre o ex-presidente Donald Trump e alguns de seus mais ferrenhos apoiadores.
A votação, que tem grandes chances de ser aprovada, acontece apenas dois dias depois de Trump ter abruptamente abandonado sua oposição de longa data à medida. Se bem-sucedida, a resolução que exige a divulgação de todos os materiais não confidenciais sobre Epstein será encaminhada ao Senado para consideração.
Donald Trump, que anteriormente reconheceu uma amizade com Epstein mas afirmou que eles se desentenderam, alimentou por muito tempo teorias sobre o financista e suas poderosas conexões. No entanto, desde que retornou ao poder, a questão dos arquivos de Epstein tornou-se um raro ponto fraco para o ex-presidente entre seus seguidores. Uma pesquisa Reuters/Ipsos de outubro revelou que apenas quatro em cada dez republicanos aprovavam a forma como Trump lidou com o assunto, um número bem inferior aos nove em cada dez que aprovam seu desempenho geral.
Trump defendeu sua não ligação com os supostos crimes de Epstein, chegando a descrever a situação como uma “farsa democrata”. O Presidente da Câmara dos EUA, Mike Johnson, resistiu por meses a uma campanha de divulgação liderada pelo deputado republicano Thomas Massie, que conseguiu coletar 218 assinaturas para forçar uma votação da resolução.
A oposição inicial de Trump havia azedado as relações com alguns de seus maiores apoiadores congressistas, como a deputada republicana Marjorie Taylor Greene, que expressou repetidamente sua insatisfação pela falta de detalhes divulgados sobre Epstein pelo Departamento de Justiça.
Essa situação mudou drasticamente no domingo, quando Trump declarou: “Os republicanos da Câmara devem votar a favor da divulgação dos arquivos de Epstein, porque não temos nada a esconder”. Esta declaração deve resultar em uma forte demonstração de apoio entre os republicanos, que detêm uma maioria de 219 a 214 na Câmara. Os democratas já haviam manifestado apoio à medida.
Contudo, não está claro se o Senado, também liderado pelos republicanos, dará seguimento ao assunto. O gabinete do líder da maioria no Senado, John Thune, recusou-se a comentar antes da votação na Câmara.

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