Foto: Reprodução

O Senado Federal tem como missão prioritária para 2026 a aprovação do projeto de lei que institui o novo Plano Nacional de Educação (PNE). O PL 2.614/2024, já aprovado pela Câmara dos Deputados em dezembro, será analisado a partir de fevereiro, após o recesso legislativo.

Tramitação e Prioridade no Senado

A senadora Teresa Leitão (PT-PE), presidente da Comissão de Educação, afirmou que o PNE será o principal tema do colegiado logo no início de 2026. Segundo ela, a pauta já está “pacificada entre todos os atores da educação”, incluindo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o ministro da Educação, Camilo Santana.

A senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO) ressaltou a urgência do plano: “A atualização do Plano Nacional de Educação é urgente e estratégica para o futuro do país. O PNE atual já não responde plenamente aos desafios que a educação brasileira enfrenta hoje, e cada ano de atraso significa menos planejamento, menos metas claras e mais desigualdade.”

Conteúdo e Objetivos do PNE

O PNE estabelece diretrizes, metas e estratégias para a política educacional brasileira ao longo de dez anos. Ele serve de base para que governos em todas as esferas (União, estados, Distrito Federal e municípios) estruturem seus planos, direcionem investimentos e tomem decisões, buscando superar a descontinuidade das políticas públicas a cada mudança político-partidária.

Esta é a terceira edição do plano, que visa alinhar o planejamento educacional com padrões de qualidade, equidade e eficiência. Entre os focos principais estão a erradicação do analfabetismo e a universalização do atendimento escolar, desde a educação infantil ao ensino superior.

Um dos pontos cruciais do projeto é a ampliação dos investimentos públicos em educação para 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em sete anos, alcançando 10% ao final do decênio. Atualmente, o índice está em cerca de 5%.

O texto aprovado na Câmara organiza o PNE em 19 objetivos estratégicos e prevê a valorização dos profissionais da educação. Inclui também metas para o combate à violência no ambiente escolar e ao bullying, a integração de metade das novas matrículas no ensino profissionalizante ao ensino médio e a busca por empregabilidade e renda ao final do ensino superior. No entanto, foi retirada a obrigação de estados e municípios de apresentar informações sobre o investimento público em proporção aos respectivos PIBs.

Histórico e Diálogo na Elaboração

O projeto do novo PNE foi entregue ao Senado em 17 de dezembro, pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP), presidente da comissão especial na Câmara, e pelo relator do texto, deputado Moses Rodrigues (União-CE), à senadora Teresa Leitão.

Tabata Amaral destacou o intenso processo de elaboração na Câmara, que recebeu mais de 3 mil emendas na primeira rodada e mais de 1,3 mil na segunda, além de 27 seminários estaduais. “A gente se orgulha de ter sido a comissão que mais trabalhou na Câmara este ano e em um processo recheado de muito diálogo”, afirmou a deputada.

No Senado, o tema também foi amplamente debatido. Em 2025, a comissão realizou 13 audiências públicas; em 2024, foram dez, e em 2023, antes da apresentação do projeto pelo Executivo, foram 14 audiências para discutir o futuro do plano. A senadora Teresa Leitão afirmou que “a proposta é fruto direto de uma grande mobilização social do Fórum Nacional de Educação”.

O prazo do PNE em vigor se encerraria no final de 2024. Embora o Executivo tenha proposto o período de 2024-2034 para o próximo plano, o início da vigência foi adiado. O novo PNE deverá valer por 10 anos a partir da publicação da lei.

Deixe um comentário

Your email address will not be published.