O Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou na noite da última sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, o pedido de impeachment do presidente Julio Casares. A decisão, tomada em reunião no Morumbis, resultou no afastamento imediato do dirigente do cargo.
Próximos Passos do Processo
Com o afastamento de Casares, Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, deverá definir uma data para a Assembleia Geral dos Sócios. Esta é a última instância do processo de destituição e contará com a participação dos associados do clube.
Julio Casares permanecerá afastado de suas funções até a divulgação do resultado final da Assembleia Geral. Se os sócios endossarem o afastamento, ele será definitivamente destituído e perderá o restante do seu mandato, que iria até o fim de 2026. No entanto, Casares se manteria como associado e estaria apto a concorrer a qualquer outro cargo em uma eleição futura.
Por outro lado, se os associados votarem contra o impeachment, Casares retornará à cadeira presidencial. Existe, contudo, a possibilidade de o rito não ocorrer, pois aliados de Casares indicam que o presidente afastado pode renunciar ao cargo nas próximas horas.
Harry Massis Júnior Assume Interinamente
De acordo com o Estatuto Social do clube, o vice-presidente da atual gestão, Harry Massis Júnior, assume a presidência do São Paulo de forma interina. Ele comandará o Tricolor até o término do mandato do presidente afastado, ou seja, até o fim de 2026.
Harry Massis Júnior, de 80 anos, é empresário e sócio do São Paulo desde 1964. Conselheiro vitalício do clube, ele já exerceu diversas funções, como diretor adjunto de futebol entre 2001 e 2002, e diretor adjunto administrativo entre 1992 e 1993.
Nos primeiros dias de sua gestão interina, Massis Júnior terá decisões importantes, como negociações em andamento (ex: possível ida do meio-campista Alisson ao Corinthians) e a estrutura do departamento de futebol. O setor é chefiado pelo executivo Rui Costa, enquanto Márcio Carlomagno, superintendente geral e “braço direito” de Julio Casares, também vinha frequentando o CT da Barra Funda. Resta saber qual será o futuro do profissional.
Descrito como uma figura “tranquila e conciliadora”, Massis Júnior prometeu, em seu primeiro discurso como presidente interino, trabalhar para “proteger a instituição”.
A Votação e a Pressão Externa
A reunião que aprovou o impeachment de Julio Casares contou com a presença de 235 conselheiros. Foram registrados 188 votos a favor da destituição, 45 contra e dois votos em branco. O clima do encontro foi cordial; inicialmente, Casares e seus advogados se defenderam, e em seguida, os signatários do pedido de impeachment apresentaram seus argumentos.
Do lado de fora do Morumbis, houve forte pressão. Torcedores do São Paulo protestaram com faixas e fogos de artifício nos arredores do estádio, pedindo o impeachment de Julio Casares. A pressão sobre o presidente cresceu diante das polêmicas divulgadas na imprensa e de casos investigados pela Polícia Civil. As principais organizadas do São Paulo, Independente e Dragões da Real, já haviam exigido a renúncia de Casares antes mesmo de a votação de impeachment ser marcada.

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