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A Polícia Civil do Rio Grande do Norte, através de sua unidade investigativa competente, instaurou formalmente um inquérito policial para aprofundar a apuração de um sofisticado esquema de utilização e venda de atestados médicos falsos. Este processo foi deflagrado após uma comunicação formal e proativa de uma empresa privada às autoridades, que identificou uma série de irregularidades em documentos apresentados por seus colaboradores no estado.

As investigações preliminares revelaram um quadro preocupante: um total de 12 funcionários foram sumariamente demitidos por justa causa. A medida extrema foi tomada após a constatação inequívoca de que os referidos colaboradores apresentavam atestados médicos forjados para justificar suas ausências no ambiente de trabalho. Além disso, foi apurado que, no mínimo, três profissionais de saúde – médicos devidamente registrados – tiveram seus nomes, carimbos e, em alguns casos, até mesmo assinaturas, utilizados de forma fraudulenta e indevida nos documentos falsificados, sem seu consentimento ou conhecimento.

A desconfiança inicial da empresa surgiu em virtude de uma série de indícios alarmantes. Primeiro, a elevada e atípica frequência de afastamentos por parte de um grupo específico de funcionários acendeu um sinal de alerta nos setores de Recursos Humanos e gestão. Segundo, a reiteração dos nomes dos mesmos profissionais de saúde nos atestados, sem que houvesse uma justificativa lógica para tal padrão, levantou suspeitas. Por fim, inconsistências formais e materiais verificadas nos atestados apresentados – como datas, formatação ou a falta de elementos de segurança – fortaleceram a tese de fraude. Ao serem contatados pela empresa, os médicos supostamente emissores dos documentos negaram veementemente qualquer envolvimento, não reconhecendo suas assinaturas ou a emissão de tais declarações.

Com base nessas informações e na formalização da denúncia, as diligências investigativas foram intensificadas pela equipe policial. Através de métodos de investigação cibernética e rastreamento de dados, foi possível identificar que o principal responsável pela orquestração da falsificação e venda desses atestados reside no município de Mossoró, no interior do Rio Grande do Norte. O modus operandi do suspeito era claro e bastante acessível, o que pode ter contribuído para a disseminação da prática: ele cobrava um valor irrisório de R$ 25 por “dia de afastamento”, facilitando o acesso ao serviço ilícito. Para dificultar o rastreamento, os pagamentos eram recebidos por meio de uma conta bancária de terceiros, e o contato com os interessados era feito utilizando um número telefônico que ostentava o prefixo DDD 17, indicando uma possível tentativa de simular uma origem fora do estado ou de camuflar sua verdadeira localização.

Um detalhe que adiciona complexidade e um senso de traição ao caso é que, ainda segundo as investigações em curso, o principal suspeito identificado é, ironicamente, um dos ex-colaboradores da própria empresa que havia sido demitido anteriormente por justa causa. Essa ligação sugere um possível motivo de retaliação ou um conhecimento prévio das vulnerabilidades internas da companhia, que foi explorado para arquitetar o esquema.

O inquérito policial segue em andamento, com a expectativa de que novas provas sejam coletadas e outros envolvidos, se houver, sejam identificados. O objetivo final das autoridades é a completa elucidação dos fatos, a responsabilização criminal dos perpetradores por crimes como falsidade ideológica, uso de documento falso e, potencialmente, estelionato, além de coibir práticas que comprometem a saúde ocupacional e a integridade das relações de trabalho no estado.

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