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Natal, RN – Em um cenário político marcado pela iminência de uma dupla vacância no Executivo estadual, o grupo de oposição à governadora Fátima Bezerra (PT) no Rio Grande do Norte intensifica as articulações para a apresentação de um nome nas vindouras eleições indiretas que serão conduzidas pela Assembleia Legislativa do Estado. A informação foi oficialmente confirmada por Babá Pereira (PL), pré-candidato a vice-governador na chapa de oposição e ex-presidente da influente Federação dos Municípios do RN (FEMURN), durante entrevista exclusiva concedida à 98 FM Natal nesta quarta-feira, 4 de março de 2026.

Tratativas Iniciais e o Perfil Almejado

De acordo com Babá Pereira, as discussões e tratativas para a definição do candidato que representará a oposição no pleito legislativo ainda se encontram em estágio preliminar. Há uma atmosfera de cautela estratégica em torno do assunto, mas o pré-candidato adiantou uma pista crucial sobre as intenções do grupo: o nome escolhido deverá possuir um notório “perfil técnico”. Essa sinalização corrobora declarações anteriores de outras lideranças da oposição, indicando uma busca por um gestor que possa oferecer uma administração focada e sem viés político-partidário excessivo para o curto mandato.

Pereira revelou ainda que a liderança do grupo, o senador Rogério Marinho (PL), tem viagem programada para o Rio Grande do Norte neste fim de semana. Sua chegada é esperada com grande expectativa, pois ele se juntará pessoalmente às discussões cruciais para a consolidação da estratégia oposicionista e a escolha do perfil ideal para a disputa indireta.

“A gente está conversando nos bastidores. Estamos fazendo algumas sondagens ainda, sabe? Alguns já se propuseram à disposição, né? Mas a gente tá conversando. A tendência é que seja um nome mais técnico. O senador Rogério está vindo para a gente conversar sobre isso”, declarou Babá Pereira, reforçando a seriedade e o cuidado com que o assunto está sendo tratado.

A Aproximação com Ezequiel Ferreira e o Cenário Político

O pré-candidato também abordou a crescente aproximação com o presidente da Casa Legislativa, deputado Ezequiel Ferreira (PSDB). Pereira fez questão de ressaltar que as conversas entre ambos os líderes políticos ainda estão em uma fase embrionária, demandando mais diálogos para solidificar uma aliança. Contudo, é notório que Ezequiel Ferreira, dada sua posição estratégica na Assembleia, terá um papel fundamental e ativo junto ao grupo oposicionista, tanto na definição do nome que será proposto quanto em outras deliberações que permearão o complexo processo eleitoral.

Questionado sobre uma possível candidatura de Ezequiel Ferreira ao Senado, integrando uma eventual chapa majoritária do PL, Babá Pereira demonstrou a mesma cautela que permeia as discussões internas. Contudo, ele fez questão de pontuar os posicionamentos publicamente conhecidos do presidente da Assembleia.

“Ele já disse que é candidato a reeleição, né? Mas, assim, quem fala por ele é ele, né?”, afirmou Pereira, deixando claro que a decisão final sobre o futuro político de Ezequiel é de sua exclusiva responsabilidade, embora os cenários de composição política estejam sempre abertos a mudanças.

A Origem das Eleições Indiretas: Dupla Vacância no Executivo

A necessidade de um pleito indireto na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte ganha contornos de consolidação em função de um cenário de dupla vacância que se desenha no Executivo estadual. Este quadro é constitucionalmente previsto e se materializará com as futuras renúncias da atual governadora, Fátima Bezerra (PT), que já foi delegada por seu partido para disputar uma vaga no Senado Federal nas próximas eleições gerais. Paralelamente, o vice-governador Walter Alves (MDB) também já confirmou publicamente sua pré-candidatura a deputado estadual, o que o levará a se descompatibilizar do cargo.

Com a saída simultânea da governadora e do vice, a Constituição Estadual determina que a responsabilidade pela eleição de um novo governador recai sobre os deputados estaduais. Este governador eleito exercerá as funções do cargo apenas até o final do ano em curso, ou seja, cumprirá um mandato-tampão, garantindo a continuidade administrativa do Estado até que os novos líderes eleitos pela população assumam em janeiro do ano seguinte. A articulação da oposição, portanto, visa capitalizar essa oportunidade para influenciar a governança do estado, mesmo que por um período transitório.

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