A Controladoria-Geral da União (CGU) avançou significativamente na apuração de condutas irregulares ao instaurar formalmente um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra dois servidores de alta patente do Banco Central do Brasil. A medida é o desdobramento de uma investigação que aponta para um possível favorecimento indevido ao Banco Master, e pode culminar na expulsão dos funcionários do serviço público, conforme a gravidade das acusações.
O referido Processo Administrativo Disciplinar foi aberto na última sexta-feira, dia 20 de março de 2026, marcando uma nova fase na apuração da conduta dos servidores. A legislação prevê um prazo de 60 dias para a conclusão do PAD, período durante o qual serão coletadas provas, ouvidas testemunhas e garantido o amplo direito de defesa aos acusados, antes de uma decisão final ser proferida pela CGU.
Os servidores em questão, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, já haviam sido afastados de suas funções no Banco Central por uma decisão proferida pelo ministro André Mendonça, relator do complexo caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) sugere que ambos teriam atuado como “consultores informais” para Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, supostamente em troca de vantagens financeiras indevidas. É importante ressaltar que, antes da intervenção do STF, os dois já haviam sido afastados de seus cargos devido a uma sindicância interna aberta pelo próprio Banco Central, indicando que as irregularidades já estavam sob escrutínio da autarquia.
As evidências e os achados da sindicância interna do Banco Central foram cruciais e posteriormente encaminhados à Polícia Federal, o que impulsionou a deflagração da terceira fase da “Operação Compliance Zero”. Após o início da operação policial, o BC também remeteu todo o processo investigativo à Controladoria-Geral da União, órgão que agora assume a responsabilidade de dar continuidade à investigação na esfera administrativa, focando na conduta dos servidores que ocupavam posições estratégicas na cúpula do Banco Central.
Parte substancial das irregularidades atribuídas a Paulo Sérgio Neves de Souza, um dos servidores sob investigação, teriam ocorrido durante seu período como Diretor de Fiscalização do Banco Central, entre os anos de 2017 e 2023. No momento de seu afastamento, ele exercia a função de chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária, cargo que lhe conferia a responsabilidade direta pelo acompanhamento e supervisão das operações do Banco Master. Belline Santana, por sua vez, atuava como chefe da mesma área, reforçando a gravidade da posição de ambos no contexto das alegações.
A condução dos processos administrativos disciplinares na CGU ficará a cargo de uma equipe especializada, composta por Derlan Araújo, Karin Webster e Guilherme de Sena, todos auditores federais de finanças e controle. Derlan Araújo presidirá os trabalhos, assegurando a rigorosa análise das provas e a aplicação das normas disciplinares pertinentes. (Com informações de O Globo)

Deixe um comentário