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A indústria da construção civil manifestou forte oposição à proposta do governo federal que cogita a liberação de parte dos fundos do FGTS para que trabalhadores quitem suas dívidas. A notícia, confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta terça-feira, 7, gerou preocupação entre os representantes do setor.

Preocupação com o Futuro da Habitação e Emprego

A Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc) expressou receio de que a medida possa impactar significativamente os recursos destinados ao financiamento imobiliário, especialmente para famílias de baixa renda, prejudicando programas como o Minha Casa Minha Vida (MCMV). Segundo a Abrainc, o FGTS é um pilar fundamental para o acesso à moradia no Brasil, e qualquer alteração em seu uso pode agravar o déficit habitacional e afetar negativamente o emprego e a economia.

O presidente da Abrainc, Luiz França, ressaltou a importância de não “descaracterizar o papel do FGTS”, alertando para as consequências diretas no mercado imobiliário e no crescimento econômico.

Impacto na Economia Real e Geração de Empregos

O Sindicato da Habitação (Secovi-SP) também se posicionou contra a iniciativa, argumentando que a liberação do FGTS para dívidas desvia a finalidade primordial do fundo e ignora seu papel estruturante na economia. O Secovi-SP destaca que cada R$ 1 investido pelo FGTS em empreendimentos imobiliários gera 22 empregos diretos, um efeito multiplicador que corre risco com a proposta de saque para consumo imediato.

A entidade enfatizou que a execução de projetos essenciais e a manutenção de milhões de empregos formais estão ameaçadas caso os recursos do FGTS sejam pulverizados para quitação de débitos.

Orçamento e Futuro do Minha Casa Minha Vida

Os dados do Ministério das Cidades revelam um crescimento constante no orçamento do FGTS destinado ao Minha Casa Minha Vida. Para 2026, estão previstos R$ 144,5 bilhões para o programa habitacional. Em 2025, o valor foi de R$ 142,3 bilhões, e em 2024, de R$ 102,4 bilhões. A preocupação é que a liberação dos fundos para dívidas possa comprometer a continuidade e a capacidade desses investimentos.

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