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A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (14), a sexta fase da Operação Compliance Zero. A nova etapa da investigação marca uma escalada significativa na apuração de um esquema de espionagem e tráfico de influência que teria beneficiado o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

Atingindo o coração da corporação

Desta vez, as diligências focaram diretamente em membros da própria Polícia Federal. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela relatoria do caso, determinou o afastamento imediato de uma delegada da PF, que também foi alvo de mandado de busca e apreensão. Além disso, um agente da ativa foi preso preventivamente sob a suspeita de atuar como facilitador do vazamento de informações sigilosas para o grupo de Vorcaro.

Além dos servidores da ativa, a operação mirou em outros dois agentes aposentados da instituição, cujos endereços foram alvo de buscas autorizadas pelo STF, visando colher provas sobre o nível de penetração do esquema dentro dos órgãos de segurança.

O esquema “A Turma” e o vazamento de dados internacionais

As investigações iniciadas no início de 2026 desenharam a existência de um grupo operacional, autodenominado “A Turma”. Segundo a apuração, este núcleo, contratado diretamente pelo banqueiro, exercia atividades ilícitas de inteligência, incluindo vigilância, coleta de dados sensíveis e monitoramento constante de adversários de Vorcaro.

O nível de sofisticação do grupo era preocupante: os investigados conseguiam acessar bases de dados protegidas do Ministério Público Federal (MPF), da própria Polícia Federal e até de organismos de cooperação internacional, como a Interpol e o FBI. O elo operacional seria Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido no meio como “Sicário”, apontado como o coordenador dessa rede de inteligência paralela.

Uso de credenciais funcionais para espionagem

De acordo com o ministro André Mendonça, o grupo não se limitava a apenas obter dados, mas utilizava credenciais funcionais de terceiros para realizar consultas indevidas em sistemas restritos. “A partir dessa metodologia, o investigado teria obtido acesso indevido aos sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal, e até mesmo de organismos internacionais”, destacou o magistrado em sua decisão.

Registros encontrados pela própria PF indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro possuía acesso privilegiado a diligências que ainda estavam em sigilo. O material apreendido revela, inclusive, anotações detalhadas de Vorcaro sobre procedimentos policiais em curso e estratégias de autoridades que investigavam suas movimentações financeiras, evidenciando uma falha grave na proteção das investigações oficiais.

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