Foto: Reprodução

O ministro da Educação, Camilo Santana, em pronunciamento oficial nesta sexta-feira (21), assegurou que o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2025 não será cancelado, mesmo diante das alegações de possível vazamento de questões. O ministro minimizou o ocorrido, classificando-o como “ruído” e reiterando a importância da manutenção do cronograma do exame para milhões de estudantes em todo o país.

Segundo Santana, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia responsável pela organização e aplicação do ENEM, optou por anular três questões específicas da prova “por medida de prevenção e em busca de isonomia”. A decisão foi tomada após a repercussão de uma transmissão ao vivo realizada por Edcley Teixeira, estudante de medicina, na qual ele apresentou conteúdo considerado similar a itens presentes no segundo dia de provas.

O ministro enfatizou que a Polícia Federal (PF) foi acionada na quarta-feira (19) para investigar formalmente a denúncia de divulgação antecipada de questões. “A Polícia Federal já está atuando no caso, com o objetivo de apurar rigorosamente os fatos e identificar os responsáveis por essa possível irregularidade”, declarou o ministro. “Foram adotadas todas as medidas necessárias para a preservação do conteúdo e dos registros técnicos do exame.” Detalhes sobre o andamento da investigação não foram divulgados para não comprometer o trabalho da PF.

Apesar da garantia do ministro, a controvérsia gerou mobilização entre estudantes, que organizam manifestações nas redes sociais e nas ruas, nos dias 21 e 22 de novembro, exigindo a anulação completa do ENEM 2025. Os manifestantes argumentam que a exclusão de apenas três questões não é suficiente para mitigar a vantagem indevida que alguns candidatos possam ter obtido ao ter acesso prévio ao conteúdo da prova. Eles também expressam preocupação com o impacto da anulação das questões na Teoria de Resposta ao Item (TRI), metodologia utilizada para calcular a nota do ENEM, o que poderia, segundo eles, distorcer o desempenho de todos os participantes.

O movimento “Anula Enem” tem coordenado as ações de protesto por meio de grupos em aplicativos de mensagens como WhatsApp e Telegram. Em Brasília, um grupo de aproximadamente 30 estudantes e familiares se reuniu em frente à sede do Inep para expressar sua insatisfação e demandar a anulação do exame. A manifestação contou com cartazes, faixas e palavras de ordem contra o suposto vazamento e a postura do Ministério da Educação.

A situação gerada pela denúncia de vazamento e o posicionamento do Ministério da Educação adicionam mais um capítulo à já complexa história do ENEM, exame que se tornou a principal porta de entrada para o ensino superior no Brasil.

Deixe um comentário

Your email address will not be published.