Achado Inédito em Oxirrinco Revela Uso Literário em Rituais Funerários
Uma descoberta surpreendente no Egito, na antiga cidade de Oxirrinco, localizada em Al Bahnasa, ao sul do Cairo, está reescrevendo a história dos rituais funerários. Arqueólogos identificaram um papiro com trechos da épica “Ilíada”, de Homero, estrategicamente posicionado no abdômen de uma múmia com aproximadamente 1.600 anos. Este é o primeiro registro de um texto literário, e não meramente ritualístico, sendo utilizado em mumificações na região durante o período romano.
A equipe da Universidade de Barcelona, que vinha encontrando apenas papiros com fórmulas rituais ou instruções de embalsamamento, ficou intrigada com o fragmento. Ele pertence ao Livro II da obra de Homero, especificamente à célebre seção conhecida como “Catálogo de Navios”.
Análise Preliminar e Hipóteses
O papiro, devido ao seu estado frágil e fragmentado, passou por análises visuais iniciais. Ainda não foram utilizadas tecnologias mais invasivas, como raios-X, para preservar o material. A motivação exata por trás da inclusão de um texto literário clássico em um ritual de mumificação permanece um mistério. Especialistas levantam hipóteses, como a possibilidade de o texto servir como uma forma de identificação do embalsamador ou ter um propósito simbólico de proteção. Contudo, o uso de obras literárias para tais fins é considerado incomum.
Contexto das Escavações
Além da múmia com o poema homérico, as escavações em três tumbas de calcário trouxeram à luz outros aspectos dos rituais praticados na época. Foram encontrados vestígios como múmias com línguas feitas de folha de ouro ou cobre, jarros contendo restos cremados de adultos e ossos de bebês, além de cabeças de felinos envoltas em tecidos. Esses achados sugerem que o local era utilizado por famílias abastadas, capazes de investir em elaborados processos de mumificação. As pesquisas prosseguem para desvendar a complexa fusão entre a cultura grega e os rituais egípcios na antiguidade.

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