A Toyota pisou fundo no acelerador da recuperação e retomou nesta segunda-feira (3) a produção de veículos em suas fábricas brasileiras. Foram mais de 40 dias de paralisação, um período desafiador desencadeado por um vendaval devastador que atingiu a linha de motores da montadora em Porto Feliz (SP) no último mês de setembro.
Com um plano estratégico, as unidades de Indaiatuba e Sorocaba, ambas no interior de São Paulo, voltaram a operar. O ritmo é gradual e conta, nesta fase inicial, com o uso de motores e peças importados de outras unidades da empresa no exterior, garantindo que a engrenagem volte a girar.
Relembrando o Impacto do Vendaval
A parada forçada teve início em 23 de setembro, logo após as fortes chuvas e ventos que causaram estragos significativos à planta de Porto Feliz. Esta fábrica é crucial para a produção de motores dos aclamados modelos Corolla e Corolla Cross. A tempestade não poupou a região, provocando destelhamentos, quedas de árvores, alagamentos e desabamentos em diversas cidades.
A Defesa Civil reportou 33 ocorrências, com 24 pessoas feridas e dezenas de desabrigados e desalojados. Em Porto Feliz, o dano à fábrica da Toyota resultou em dez pessoas feridas e oito desabrigadas, mostrando a gravidade do incidente.
Estratégia de Retomada e Próximos Passos
Para viabilizar o retorno das atividades, a Toyota implementou um plano emergencial. A importação de motores e componentes é a peça-chave, permitindo que as fábricas retomem suas operações sem depender da unidade afetada de Porto Feliz.
Nesta primeira fase, que abrange novembro e dezembro, o foco principal está na fabricação das versões híbridas do Corolla (em Indaiatuba) e do Corolla Cross (em Sorocaba).
A escolha por iniciar com os modelos eletrificados é estratégica, já que os motores 1.8 híbridos desses veículos já eram produzidos fora do Brasil e representam um maior valor de mercado para a montadora.
A produção inicial atenderá tanto o mercado interno quanto as exportações para a América Latina.
Para compensar o volume perdido durante a paralisação, a Toyota planeja intensificar o ritmo nos próximos meses. A fábrica de Sorocaba, por exemplo, passará a operar em três turnos para acelerar a produção, enquanto Indaiatuba manterá seus dois turnos habituais.
A segunda etapa da retomada está agendada para janeiro de 2026. Nela, serão incluídos os modelos com motores convencionais – as versões flex do Corolla e Corolla Cross, além do Yaris Hatch, voltado exclusivamente para exportação. A expectativa é que o ritmo regular de produção seja alcançado até fevereiro de 2026.
Porto Feliz: Futuro Incerto e Apoio aos Colaboradores
Enquanto as outras linhas de montagem voltam a todo vapor, a planta de Porto Feliz permanece fechada, sem um prazo definido para reabertura. A Toyota classificou os danos como de “grande extensão” e suas equipes estão dedicadas à avaliação dos equipamentos e à possibilidade de transferência temporária de maquinário.
Cerca de 800 colaboradores da fábrica de motores continuam em layoff (suspensão temporária do contrato de trabalho) por tempo indeterminado. Já os 5,8 mil funcionários de Sorocaba e os 1,5 mil de Indaiatuba retornaram ao trabalho em 21 de outubro, após um período de férias coletivas emergenciais, mostrando o comprometimento da empresa em cuidar de seus times durante este período desafiador.

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