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O cenário da assistência à saúde no Rio Grande do Norte em 2025 foi marcado por um número alarmante de falhas, totalizando 7.845 eventos adversos registrados. Este dado, divulgado pela Organização Nacional da Acreditação (ONA) e baseado em informações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), abrange tanto unidades de saúde públicas quanto privadas e posiciona o estado como o sexto com maior volume de notificações na região Nordeste. Em um contexto nacional, o país acumulou 480.283 falhas no mesmo período, evidenciando um desafio significativo para a segurança do paciente em todo o Brasil.

Analisando as ocorrências específicas no RN, os incidentes mais frequentes envolvem dispositivos médicos, como cateteres e sondas, com 1.227 registros. Seguem de perto as falhas em processos ou procedimentos clínicos, totalizando 908 casos, e as lesões por pressão, que somaram 849 incidentes. Especialistas alertam que este quantitativo pode subestimar a real dimensão do problema, visto que muitas instituições de saúde optam por não notificar determinados eventos no sistema oficial. Os motivos para essa omissão variam desde o receio de sofrer sanções e punições até fragilidades internas na gestão e na estrutura dos serviços, impedindo uma comunicação transparente e eficaz dos riscos.

Segundo Gilvane Lolato, gerente-geral de Operações da ONA, a subnotificação está intrinsecamente ligada à carência de uma “cultura justa” dentro das organizações de saúde. Ela explica que, para além do temor dos profissionais em expor erros, outros fatores críticos contribuem para a perpetuação dessas falhas, tais como a carência de pessoal com qualificação adequada, a ausência de protocolos assistenciais padronizados e modelos de gestão considerados ineficientes. Lolato ressalta que os tipos de falhas observados no RN, como erros na administração de medicamentos, quedas de pacientes e complicações relacionadas a dispositivos, não destoam do padrão nacional, indicando problemas sistêmicos mais amplos.

Os dados coletados pela ONA revelam que a vasta maioria dos eventos adversos em hospitais no Brasil resultou em consequências que variam de danos significativos aos pacientes até casos de extrema gravidade, incluindo óbitos. Diante deste quadro preocupante, a ONA reitera a importância crucial de reconhecer ativamente os riscos inerentes à prática médica e de implementar, de forma rigorosa e contínua, protocolos de segurança. A organização também destaca que o aumento consistente desses registros desde 2023 aponta para um desafio cada vez mais complexo e urgente a ser enfrentado pelo sistema de saúde em nível nacional.

Com informações da Tribuna do Norte

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