O senador e presidente nacional do Progressistas (PP), Ciro Nogueira (PP-PI), manifestou-se publicamente nesta sexta-feira (8) em resposta direta à deflagração da 5ª fase da Operação Compliance Zero. A ação, conduzida pela Polícia Federal (PF), tem como foco central a apuração de supostas irregularidades e esquemas de fraude envolvendo o Banco Master.
O teor da investigação e a defesa do parlamentar
A investida policial, que incluiu o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra o senador, foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Segundo elementos colhidos pela investigação, a Polícia Federal apura indícios de que Ciro Nogueira teria utilizado seu poder político para favorecer o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em troca de contrapartidas identificadas como “vantagens econômicas indevidas”.
Em sua defesa, publicada através de seus canais oficiais nas redes sociais, o parlamentar rejeitou veementemente as acusações. “Trata-se de uma tentativa clara de manchar a minha honra pessoal”, afirmou Nogueira. O senador buscou contextualizar o episódio dentro de um cenário de disputa eleitoral, declarando que “todo ano político é a mesma coisa”, sugerindo, dessa forma, uma possível motivação política por trás dos atos da autoridade policial.
Histórico de embates com o Judiciário
Para sustentar sua tese de perseguição, o ex-ministro relembrou episódios anteriores de sua trajetória jurídica e política. Ele citou nominalmente a Operação Lava Jato, ocorrida em 2018, quando também foi alvo de mandados judiciais cumpridos em sua base eleitoral, em Teresina (PI). Segundo sua narrativa, aquele episódio, que ele classifica como “perseguição política”, acabou gerando um “efeito contrário” ao pretendido pelos investigadores, consolidando seu sucesso nas urnas na ocasião: “Vencemos aquela eleição”, reforçou.
A controvérsia da emenda parlamentar
Além da acusação de recebimento de vantagens, a investigação da PF também coloca sob lupa a atividade legislativa do senador. Recentemente, a Polícia Federal apontou que Nogueira teria recebido um documento contendo uma sugestão de emenda específica, a qual beneficiaria interesses ligados ao Banco Master.
Em entrevistas recentes, incluindo uma participação na emissora Jovem Pan, Ciro Nogueira minimizou a proximidade com o empresário Daniel Vorcaro, afirmando que seu relacionamento com ele não difere daquele que qualquer outro político em Brasília mantém habitualmente com representantes do setor bancário. Sobre a emenda em questão — que propõe a ampliação do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para o patamar de R$ 1 milhão —, o senador argumenta que a medida não visa favorecer um banco específico, mas sim “corrigir uma defasagem técnica existente há mais de uma década no sistema financeiro”.

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