As águas oceânicas estão à beira de atingir níveis de temperatura sem precedentes, alertou o serviço de monitoramento climático da União Europeia. Este aquecimento acelerado surge em um momento crucial, com o planeta se aproximando de um evento El Niño que pode ser particularmente intenso.
Especialistas indicam que as temperaturas superficiais dos mares têm se aproximado perigosamente dos recordes históricos estabelecidos anteriormente. Há uma expectativa de que novos picos de temperatura sejam registrados nos próximos dias.
Dados recentes mostram um aumento gradual nas temperaturas oceânicas diárias em abril, aproximando-as dos patamares mais altos já documentados. O último mês registrou o segundo maior índice histórico para as águas globais, com ondas de calor marinhas atingindo marcas recordes em diversas regiões, incluindo o Pacífico tropical e a costa oeste dos Estados Unidos.
El Niño Iminente e Seus Riscos
A Organização Meteorológica Mundial já havia emitido um alerta no mês anterior sobre a possibilidade de condições para o El Niño se estabelecerem entre maio e julho. Este fenômeno natural do ciclo climático do Pacífico tem a capacidade de alterar drasticamente os padrões de chuva e temperatura em escala global, aumentando a probabilidade de secas severas, inundações e outros eventos climáticos extremos.
O cenário é agravado pelo fato de que o El Niño se manifesta sobre um oceano já aquecido pela emissão de combustíveis fósseis. Os oceanos absorvem cerca de 90% do calor em excesso gerado pela atividade humana. O último evento El Niño, que ocorreu entre 2023 e 2024, contribuiu para que esses anos fossem registrados como os mais quentes da história.
Algumas previsões meteorológicas sugerem que o próximo El Niño poderá ser ainda mais forte, comparável ao “super El Niño” de três décadas atrás. Cientistas indicam que um evento intenso aumentaria significativamente as chances de 2027 se tornar o ano mais quente já registrado, superando 2024.
Embora a intensidade exata do fenômeno ainda seja incerta, é provável que os próximos anos sejam mais quentes. O impacto do El Niño nas temperaturas globais geralmente se manifesta com maior força no ano seguinte ao seu pico.
Extremos em Terra e no Mar
Relatórios recentes também apontam que abril foi o terceiro mês mais quente globalmente, com temperaturas significativamente acima da média pré-industrial. O gelo marinho do Ártico se mantém próximo de mínimas históricas, enquanto a Europa se prepara para um verão mais quente e seco, com riscos elevados de secas e incêndios florestais.
“Continuamos a testemunhar eventos extremos. Todos os meses, novos dados comprovam que o impacto das mudanças climáticas está gerando esses extremos”, comentou um especialista.

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