O Brasil está em rota de aquecimento duas vezes mais intenso que a média global, tornando-o significativamente mais vulnerável às mudanças climáticas. Essa é a preocupante avaliação do físico e climatologista Paulo Artaxo, apresentada durante uma entrevista ao Olhar Digital News.
Artaxo destacou que, enquanto o mundo se aproxima de ultrapassar o limite de 1,5 °C de aquecimento médio global estabelecido pelo Acordo de Paris, com projeções de atingir 2,8 °C, o Brasil pode enfrentar um aumento alarmante de 4 °C a 4,5 °C em relação aos níveis pré-industriais. Esses dados foram compartilhados em sua apresentação na COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, em 14 de novembro.
Por Que o Brasil é Mais Vulnerável?
A localização do Brasil em uma região tropical continental é um fator crucial para essa vulnerabilidade. Segundo Artaxo, os oceanos, que cobrem 75% da superfície do planeta, possuem uma grande capacidade de absorver calor sem um aumento proporcional de temperatura. Em contraste, as massas continentais, como o Brasil, tendem a aquecer muito mais.
O climatologista enfatizou a severidade do impacto, afirmando: “Vocês podem facilmente imaginar o que é um aumento de 4,5 graus em Palmas, em Teresina, em Cuiabá ou em Belém, este impacto é muito maior do que um aumento de 4 graus em Estocolmo, em Montreal ou em Moscou…”.
Impasse na COP30 sobre Combustíveis Fósseis
Uma das propostas cruciais para mitigar esse cenário, a eliminação do uso de combustíveis fósseis nas próximas décadas, não foi incluída no relatório final da COP30. A iniciativa, que contava com o apoio de mais de 80 países e era fortemente defendida pelo Brasil, enfrentou forte resistência de nações produtoras de petróleo, notadamente a Arábia Saudita.
Este impasse resultou em longas negociações e reflete a profunda divisão global entre países que buscam metas ambiciosas para a transição energética e aqueles que veem tais medidas como um risco ao seu desenvolvimento econômico.

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