Rede de Ataques Coordenados Contra o Banco Central e Defesa do Banco Master Vêm à Tona
Uma articulação de difamação contra o Banco Central (BC), que ganhou força após a liquidação do Banco Master, expôs uma intrincada rede envolvendo agências de marketing digital, influenciadores e até mesmo figuras políticas. A operação visava desacreditar a atuação do BC e defender os interesses da instituição financeira liquidada, gerando um debate público sobre a integridade de campanhas de opinião nas redes sociais.
O escândalo veio à luz quando o vereador Rony Gabriel (PL-RS) tornou público ter recebido uma proposta de contrato, denominada “Projeto DV” — uma referência direta às iniciais de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A oferta tinha como objetivo a publicação de conteúdos favoráveis à instituição, indicando uma estratégia deliberada de manipulação da narrativa pública.
De acordo com informações da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), autoridades e entidades envolvidas no processo de liquidação do Banco Master foram alvo de ataques coordenados que se intensificaram no final de 2025. O contato com o gabinete do vereador foi estabelecido por André Salvador, um dos sócios da agência Unltd Network Brazil. A proposta incluía uma cláusula de sigilo rigorosa, com multa estipulada em R$ 800 mil para qualquer violação de confidencialidade.
Paralelamente, a influenciadora Juliana Moreira Leite também relatou ter recebido uma oferta similar. O contato foi intermediado por Júnior Favoreto, figura ligada à agência Portal Group. Em um dos casos, um comunicador de São Paulo aceitou o pagamento proposto, mas posteriormente optou por devolver os valores recebidos, demonstrando um crescente desconforto com a natureza da operação.
O repasse financeiro para a execução da campanha originou-se da Miranda Comunicação, empresa pertencente a Thiago Miranda, ex-CEO do Grupo LeoDias. Apesar de envolver o nome de Thiago Miranda, o renomado jornalista Léo Dias, que possui sociedade em uma empresa com ele, negou veementemente qualquer envolvimento ou conhecimento sobre o caso, buscando desassociar sua imagem da controversa iniciativa.
As mensagens disseminadas entre os influenciadores incluíam modelos de vídeos e sugestões de pauta. Perfis com grande alcance, como Carol Dias, Paulo Cardoso, Marcelo Rennó, André Dias e o popular perfil Alfinetei, foram instruídos a publicar críticas à liquidação do Banco Master, levantando dúvidas sobre a competência e a ética da atuação do Banco Central. A estratégia era clara: semear desconfiança na opinião pública sobre o processo regulatório.
Notavelmente, as publicações em questão foram realizadas em um período concentrado, apresentando um discurso unificado e questionando a celeridade da liquidação — um processo que, na realidade, se estendeu por mais de cinco meses. As postagens, em sua maioria, não possuíam a devida identificação de publicidade, configurando uma tentativa de disfarçar a ação paga como opinião espontânea.
Apesar das evidentes semelhanças nos conteúdos e no timing das publicações, a maioria dos influenciadores envolvidos nega qualquer tipo de articulação conjunta. Muitos deles, que normalmente atuam em nichos de entretenimento e não no mercado financeiro, afirmam ter sido abordados individualmente e que desconheciam a extensão da campanha.
Agências e Perfil Envolvidos na Campanha
A investigação revelou a participação de diversas agências e perfis de influenciadores:
Agências Citadas
Portal Group
Esta agência tem como sócia Maria Isabel Barreiros Favoreto. Júnior Favoreto, filho da proprietária, foi o responsável por contatar Juliana Moreira Leite e um influenciador anônimo de São Paulo, conforme apurado pelo portal g1.
Unltd Network Brazil
A empresa conta com Gabriel Silva, Anderson Nunes da Rosa e André Silva Salvador como sócios. André Salvador foi o intermediário na oferta do “Projeto DV” com cláusula de confidencialidade a um assessor do vereador Rony Miranda (PL-RS).
Miranda Comunicação
Sob o comando de Thiago Miranda Silva, a agência foi identificada como a origem dos fundos repassados. Um comprovante de transação entre Júnior Favoreto e o influenciador paulista demonstra que o dinheiro partiu da conta de Thiago Miranda. Ele é sócio de uma empresa do jornalista Léo Dias, que reiterou seu distanciamento do caso.
Perfis que Publicaram Conteúdo Pró-Banco Master
- Alfinetei (com 25,3 milhões de seguidores)
- Carol Dias (com 7,4 milhões de seguidores no Instagram)
- Paulo Cardoso (com 4,3 milhões de seguidores)
- Diferentona (com 3,3 milhões de seguidores)
- Babadeira (com 2,7 milhões de seguidores)
- Firmino Cortada (com 2,1 milhões de seguidores)
- Marcelo Rennó (com 625 mil seguidores)
- André Dias (com 118 mil seguidores)
As informações foram compiladas com base em reportagens do Estadão.

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