Foto: Reprodução

O cenário político e empresarial brasileiro volta a ser movimentado por revelações sobre o filme Dark Horse, uma produção cinematográfica que se propõe a narrar a trajetória de ascensão e governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo novas informações divulgadas pelo portal The Intercept Brasil, o empresário Daniel Vorcaro, figura central ligada ao Banco Master, teria enxergado na obra não apenas uma peça de propaganda, mas uma oportunidade de investimento com retorno financeiro direto.

Acordo financeiro foge dos moldes de patrocínio cultural

A investigação aponta que a participação de Vorcaro no projeto cinematográfico, que conta com a presença do ator norte-americano Jim Caviezel, diferia substancialmente de um patrocínio institucional comum. Enquanto o financiamento cultural costuma seguir regras de incentivo ou apoio à arte, o contrato firmado pelo empresário com a produtora associada ao ex-secretário especial de Cultura, Mario Frias, previa cláusulas de rentabilidade. Segundo fontes próximas à produção, o acordo estabelecia que Vorcaro teria direito ao retorno do capital investido acrescido de juros e correção monetária.

Montante milionário e execução do contrato

As cifras envolvidas na produção de Dark Horse chamam a atenção pela magnitude. De acordo com os documentos obtidos pela reportagem, o contrato de financiamento total estava estimado na casa dos US$ 24 milhões — valor que, à época da negociação, convertia-se em aproximadamente R$ 134 milhões. O levantamento indica que cerca de R$ 61 milhões foram efetivamente desembolsados pelo empresário em favor da obra.

Pressão de Flávio Bolsonaro nos bastidores

O desdobramento das investigações aponta para uma interface direta entre os interesses comerciais de Vorcaro e o gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PL). Mensagens de áudio interceptadas e divulgadas pelo Intercept revelam que o parlamentar acompanhava de perto o fluxo de caixa da produção cinematográfica. Em um dos diálogos, o senador chega a solicitar que Vorcaro desse uma “luz” — ou seja, uma solução — quanto aos atrasos nas parcelas do financiamento, evidenciando uma articulação constante para garantir a viabilidade financeira do filme.

Embora o conteúdo dos diálogos seja fragmentado, as menções a viagens internacionais, incluindo passagens por Dubai, e tratativas pessoais reforçam a hipótese de que o filme servia como um ponto de convergência entre agendas privadas e políticas. Até o momento, o material divulgado não elucida completamente o contexto total das negociações, mas eleva o tom das discussões sobre como produções audiovisuais de viés ideológico podem esconder robustos esquemas de interesse econômico por trás da narrativa política.

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