As ambições do presidente Donald Trump em relação à Groenlândia, incluindo a aquisição da ilha, têm gerado forte repercussão internacional. Embora Trump tenha demonstrado um interesse crescente na colossal massa de terra ártica, chegando a ironizar equipes de trenó dinamarquesas e a expressar preocupações com a presença de navios chineses e russos na região, a verdade é que os Estados Unidos já possuem direitos de acesso militar significativos na Groenlândia.
Acordo Histórico Garante Presença Militar dos EUA
Um acordo de defesa firmado entre os Estados Unidos e a Dinamarca em 1951, em meio à Guerra Fria, confere aos EUA um amplo leque de permissões na ilha, que está sob controle dinamarquês. Este pacto histórico permite a construção, instalação, manutenção e operação de bases militares em toda a Groenlândia. Além disso, os EUA têm a prerrogativa de abrigar pessoal militar e controlar pousos, decolagens, ancoragens, movimentações e operações de navios, aviões e outras embarcações na ilha.
Mikkel Runge Olesen, pesquisador do Instituto Dinamarquês de Estudos Internacionais, em Copenhague, destaca a liberdade de ação que os EUA possuem: “Os EUA têm tanta liberdade na Groenlândia que podem praticamente fazer o que quiserem”, afirmou. Ele sugere que os objetivos americanos poderiam ser alcançados através de negociações diplomáticas.
Groenlândia Não Está à Venda, Afirmam Líderes
A ideia de comprar a Groenlândia, mencionada recentemente pelo Secretário de Estado Marco Rubio como um dos planos de Trump, encontra forte resistência. A Groenlândia não tem interesse em ser vendida, e a Dinamarca não detém a autoridade para fazê-lo, segundo Olesen. Em 1946, uma oferta de 100 milhões de dólares em ouro feita pelo governo Truman já havia sido recusada pela Dinamarca.
Atualmente, a população groenlandesa possui o direito de decidir seu futuro através de um referendo. Pesquisas indicam que 85% dos habitantes são contra a ideia de um domínio americano. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, foi categórico: “Nosso país não está à venda.”
Acordo Atualizado e Tensão Política
O acordo de defesa entre EUA e Dinamarca foi atualizado em 2004 para incluir o governo semiautônomo da Groenlândia, garantindo a sua voz sobre como as operações militares americanas impactam a população local. Apesar da existência deste acordo e da garantia de acesso, a persistência de Trump em “conquistar” a ilha tem gerado preocupação entre dinamarqueses e groenlandeses.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, já reafirmou a validade do acordo de 1951, que garante acesso à Groenlândia, e pediu que os EUA “cessem as ameaças”. Líderes europeus também se manifestaram, enfatizando que “A Groenlândia pertence ao seu povo”. Analistas jurídicos apontam que uma tentativa de ocupação militar sem consulta prévia seria ilegal, especialmente após a emenda de 2004, que exige consulta para “qualquer mudança significativa” nas operações militares na ilha.

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