O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) anunciou a suspensão por tempo indeterminado do Agibank para novos registros de crédito consignado. A decisão, divulgada nesta quarta-feira, foi motivada por uma série de “irregularidades e práticas lesivas” detectadas em operações que envolvem beneficiários da autarquia.
De acordo com o comunicado do INSS, uma auditoria conduzida pela Controladoria-Geral da União (CGU) revelou a existência de uma “quantidade significativa de contratos averbados sem o consentimento expresso dos beneficiários”. Além disso, a fiscalização apontou “indicativos de irregularidades em milhares de operações” realizadas pela instituição financeira.
Entre as descobertas mais preocupantes que levaram à suspensão, o INSS destacou a identificação de 1.192 contratos que teriam sido assinados após a data de óbito dos respectivos beneficiários, abrangendo o período entre 2023 e 2025. Desse total, 163 contratos foram formalizados mesmo com os benefícios já encerrados nos sistemas do Instituto.
Agibank Contesta Acusações e Apresenta Defesa
O Agibank, que em setembro registrou 8,8% de participação no mercado de crédito consignado para beneficiários do INSS, informou ter tomado conhecimento da suspensão sem prévia comunicação ou a oportunidade de apresentar sua defesa. Em nota, o banco reafirmou que todos os seus contratos seguem “protocolos rigorosos de segurança”, que incluem biometria facial, validação documental e cruzamento de dados em bases oficiais.
A instituição declarou desconhecer a ocorrência de contratações irregulares, mas assegurou que, caso tais irregularidades sejam comprovadas, “serão adotadas providências para saneamento dos trâmites internos”. O Agibank comprometeu-se a “absorver integralmente o impacto, sem ônus para clientes ou para o INSS”, com o ressarcimento completo dos valores envolvidos. A empresa já solicitou ao INSS acesso aos autos do processo para uma análise detalhada dos apontamentos feitos pela autarquia e pela CGU.

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