O Ministério das Relações Exteriores do Brasil impôs um sigilo de cinco anos sobre dois telegramas sensíveis da embaixada brasileira nos Estados Unidos. Os documentos revelam detalhes sobre o conglomerado de proteína animal JBS e seus controladores, os irmãos Joesley e Wesley Batista, gerando questionamentos sobre a transparência das negociações governamentais e empresariais.
Contexto: Encontro com Trump e Negociações Comerciais
A decisão do Itamaraty vem à tona após a revelação de um encontro significativo. O empresário Joesley Batista, um dos principais nomes por trás da JBS, reuniu-se com o então presidente dos EUA, Donald Trump, para discutir tarifas comerciais. Na pauta, temas cruciais como a taxação da carne e da celulose, com Batista defendendo o diálogo bilateral como caminho para resolver as divergências.
Este diálogo particular de Joesley antecedeu um momento diplomático importante: o aceno de Donald Trump ao presidente Lula durante a Assembleia-Geral da ONU. Esse gesto impulsionou negociações concretas entre os dois países, pavimentando o caminho para um encontro entre os líderes, que está previsto para o próximo domingo (26) na Malásia.
Detalhes dos Telegramas Classificados
O sigilo foi formalmente decretado pelo ministro de segunda classe Kassius da Silva Pontes, atualmente lotado em Brasília. Os dois telegramas em questão foram datados em julho e abordam temas distintos, mas interligados.
O primeiro, de 14 de julho, contém uma análise sobre investimentos de empresas brasileiras no mercado norte-americano. Já o segundo documento, de 31 do mesmo mês, descreve um “assunto parlamentar”, detalhando a formação de uma “comissão temporária para interlocução sobre as relações econômicas com os EUA”.
Apesar da classificação, o documento que impõe o sigilo não apresenta os motivos específicos para a medida, apenas afirma que se trata de um “dado classificado”, conforme foi previamente revelado por “O Globo” e confirmado pela reportagem.

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