Foto: Reprodução

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) realizou, nesta terça-feira (10), o lançamento do livro “Eu vi a vida sair dos olhos da minha mãe”. A obra é da autora Mayara de Fátima Martins de Souza, servidora do tribunal na área de serviço social.

O evento aconteceu no hall de entrada do prédio sede do TJRN e integra a programação da Semana da Mulher 2026.

A Mensagem do Livro e o Debate Institucional

Mayara de Souza expressou a importância do lançamento no Poder Judiciário. “Lançar o livro aqui no Tribunal de Justiça, no Poder Judiciário do Rio Grande do Norte, pode impactar na forma como as pessoas enxergam essa realidade e estimular reflexões sobre o papel de cada um”, afirmou a autora. Ela adicionou que o livro é “uma denúncia de uma realidade no país”, desejando que “ecoar nas pessoas e nas instituições públicas”.

A vice-presidente do TJRN, desembargadora Berenice Capuxú, ressaltou a relevância de iniciativas que ampliem o debate sobre a violência contra a mulher. “É fundamental que a sociedade compreenda a dimensão do problema e os impactos causados nas famílias das vítimas”, declarou Capuxú. Ela ainda destacou que “toda uma família fica em luto, sem o afeto e o amor de mãe. É um processo muito doloroso para todos que ficam”.

No livro, a autora chama a atenção para dados alarmantes: “Se 1.568 mulheres foram assassinadas em 2025, mais de três mil crianças e adolescentes tiveram suas mães assassinadas”. Segundo Mayara, essas pessoas precisam ser identificadas pela rede de proteção para que políticas públicas atuem, pois “o feminicídio não se encerra com o assassinato das mulheres”.

A desembargadora Martha Danyelle também reforçou a importância de atividades que promovam reflexão, afirmando que eventos como esse “nos fazem refletir sobre a importância do respeito em nossa sociedade, o respeito à mulher e à vida da mulher”.

Motivação e Sugestões de Políticas Públicas

A obra é fruto de uma tese de doutorado de Mayara de Souza, baseada em pesquisas com familiares, filhos de vítimas de feminicídio e profissionais da rede de proteção a crianças e adolescentes. O livro parte da questão de quem fica responsável pelas crianças quando a mulher é assassinada e o pai é o assassino.

O título “Eu vi a vida sair dos olhos da minha mãe” vem de uma fala de um jovem potiguar que, na infância, testemunhou o assassinato da mãe pelo pai após a cobrança de pensão. A autora defende que o feminicídio não deve gerar outras violações de direitos para crianças que perdem a mãe e, consequentemente, o pai (que perde a guarda familiar).

A autora espera que a leitura do livro provoque indignação e inconformismo, funcionando como uma denúncia. Ela almeja que as pessoas se unam no enfrentamento à violência contra mulheres, crianças e adolescentes, e que o feminicídio seja reconhecido como um problema coletivo.

O livro inclui sugestões de políticas públicas, como a criação de um sistema nacional de orfandade. “A orfandade é um problema coletivo”, defende Mayara, salientando que “os filhos das mulheres são também filhos do Estado”, no sentido de serem protegidos pela comunidade e pelo poder público.

Disponibilidade e Perfil da Autora

A primeira edição de “Eu vi a vida sair dos olhos da minha mãe” já está esgotada. Uma segunda edição está em produção, com previsão de disponibilidade para o início de abril na loja online do Serviço Social para Concursos, que realiza entregas em todo o Brasil. Os interessados podem se cadastrar na lista de espera pelo link: https://loja.ssparaconcursos.com.br/produtos/livro-orfandade-por-feminicidio/.

Mayara de Fátima Martins de Souza, natural de João Pessoa (PB), é analista judiciário na área de serviço social, atuando no Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMF) do TJRN e atualmente cedida à Rede de Proteção aos órfãos do Feminicídio do Distrito Federal. Possui doutorado em Serviço Social pela PUC/SP e é mestra e graduada pela UFPB. Ativista feminista, desenvolve pesquisas sobre relações de gênero, proteção social e direitos de mulheres, crianças e adolescentes, além de integrar o Projeto Liberdade, Igualdade e Sororidade (Projeto LIS).

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