O panorama da mobilidade urbana no Brasil passou por uma atualização significativa. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério das Cidades divulgaram o 5º boletim do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), que revisa as projeções para as redes de transporte público coletivo de média e alta capacidade até 2054. O número de projetos prioritários para as 21 maiores regiões metropolitanas do país foi ajustado, caindo de 194 para 187. Consequentemente, a estimativa de investimentos para os próximos 30 anos também foi reduzida, passando de R$ 500 bilhões para R$ 430 bilhões.
Detalhes dos Investimentos e Foco em Metrôs
Os R$ 430 bilhões projetados serão distribuídos entre diversas modalidades de transporte. O metrô receberá a maior parcela, com R$ 230 bilhões. Trens urbanos terão investimentos de R$ 31 bilhões, enquanto Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs) e Bus Rapid Transit (BRTs) poderão somar até R$ 105 bilhões e R$ 80 bilhões, respectivamente. Corredores exclusivos para ônibus também estão contemplados, com R$ 3,4 bilhões.
Comparado ao boletim anterior, houve uma alteração na composição dos projetos: enquanto o número de iniciativas para BRT, VLT e monotrilho foi reduzido, a previsão para novas linhas de metrô foi ampliada. A meta é expandir a rede de transporte em 3.042 quilômetros, sendo 2.410 km de novos trechos e 632 km dedicados à requalificação de sistemas existentes ou trechos coincidentes. Atualmente, as 21 regiões metropolitanas estudadas contam com 2.007 km de rede.
Benefícios Abrangentes para as Cidades
O BNDES destaca que, para eliminar o déficit de investimentos em mobilidade nos próximos 20 anos, seria necessário um aporte anual de quase R$ 22 bilhões, equivalente a 0,2% do PIB – valor bem acima da média de R$ 8,3 bilhões anuais investidos entre 2022 e 2024. A implementação completa dos projetos do ENMU trará múltiplos benefícios.
Estima-se que até 2054 ocorra uma redução de 8 mil mortes em acidentes de trânsito nas 21 regiões metropolitanas. No âmbito ambiental, a iniciativa evitará a emissão de 3,1 milhões de toneladas de CO2 por ano, o que equivale à absorção de carbono por uma área de floresta amazônica cinco vezes maior que a cidade do Rio de Janeiro. Economicamente, prevê-se uma redução de cerca de 10% no custo da mobilidade urbana, além de um impacto de mais de R$ 200 bilhões com a diminuição do tempo médio de deslocamentos.
Outros ganhos incluem o aumento do acesso da população a empregos, escolas, hospitais e áreas de lazer em um período menor, melhorando significativamente a qualidade de vida. As 21 regiões contempladas pelo estudo abrangem capitais e importantes centros urbanos de todas as cinco regiões brasileiras.
Perspectivas das Lideranças
Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, enfatizou que o banco está fomentando uma política pública de mobilidade urbana sustentável e de longo prazo, com colaboração entre União, estados, municípios e Distrito Federal. “O objetivo é melhorar a qualidade de vida dos brasileiros e brasileiras, com um transporte mais eficaz, menos poluidor e mais seguro”, declarou.
Jader Filho, ministro das Cidades, pontuou que os projetos selecionados refletem o compromisso do Brasil em se adaptar às mudanças climáticas, integrando sustentabilidade, mobilidade e inclusão social. “Investir em transporte coletivo limpo é investir nas cidades e nas pessoas, para que os centros urbanos se tornem mais resilientes, com menos poluição e deslocamentos mais rápidos e seguros”, concluiu o ministro.

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