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O México vivenciou um fim de semana de profunda tensão e violência, mergulhando em um cenário de caos após a confirmação oficial da morte de Nemesio Oseguera Cervantes, mais conhecido como “El Mencho”. Apontado como o temido líder do poderoso Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), sua queda foi anunciada pelo Exército Mexicano, desencadeando uma série de retaliações criminosas que paralisaram diversas regiões do país. A operação que levou à sua morte ocorreu em Tapalpa, no estado de Jalisco, onde “El Mencho” foi ferido e, posteriormente, veio a óbito enquanto era transferido de helicóptero para a Cidade do México, no que seria uma tentativa de salvamento que se mostrou infrutífera.

A figura de “El Mencho” não era apenas a de mais um narcotraficante; ele era a face de uma das organizações criminosas mais implacáveis e globalizadas. Considerado um dos criminosos mais procurados pelos Estados Unidos, o Departamento de Estado americano havia oferecido uma recompensa estratosférica de 15 milhões de dólares por informações que levassem à sua captura. Sob sua liderança férrea, o CJNG ascendeu vertiginosamente, consolidando-se como uma das mais potentes e brutais organizações do crime organizado no México, rivalizando e, por vezes, superando o infame Cartel de Sinaloa em sua capacidade de violência e expansão territorial.

A reação do cartel à morte de seu líder foi imediata e brutal. Em um show de força e desafio às autoridades, criminosos bloquearam rodovias estratégicas e incendiaram dezenas de veículos nos estados de Jalisco, Michoacán e Tamaulipas. Em Guanajuato, a violência se estendeu a estabelecimentos comerciais, que foram incendiados e atacados em uma demonstração clara de retaliação organizada. Governadores locais confirmaram a existência de confrontos generalizados e ativaram protocolos de segurança de emergência, incluindo o temido “código vermelho”, que implica na mobilização máxima de forças de segurança e na recomendação de que a população permaneça em suas residências.

A gravidade da situação foi sentida até mesmo no Aeroporto Internacional de Guadalajara, um dos mais movimentados do país, onde relatos de disparos e a presença ostensiva de homens armados geraram pânico generalizado entre passageiros e funcionários. A insegurança levou terminais rodoviários em algumas das regiões afetadas a suspenderem completamente suas atividades, impactando a mobilidade de milhares de pessoas e ampliando a sensação de desamparo. As autoridades reforçaram os apelos para que a população se resguardasse em casa, diante do iminente risco de novos e imprevisíveis confrontos, que poderiam eclodir a qualquer momento.

A morte do chefe do Cartel Jalisco Nueva Generación, embora represente um golpe significativo contra o narcotráfico transnacional e um triunfo para as forças federais mexicanas, não é vista sem apreensão. Especialistas em segurança e analistas políticos advertem que a eliminação de uma figura tão central pode desencadear uma escalada ainda maior de violência, com a intensificação de retaliações por parte do cartel e, internamente, o surgimento de disputas sangrentas pela sucessão e pelo controle das lucrativas rotas e territórios que o grupo dominava. O México, mais uma vez, se vê à beira de um novo capítulo em sua incessante guerra contra o crime organizado.

Com informações do G1.

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