Foto: Reprodução

Em um ritual que já se tornou um dos momentos mais aguardados e emblemáticos do calendário festivo de Natal, o consagrado bloco “Baiacu na Vara” retorna às pitorescas ruas da Redinha nesta Quarta-feira de Cinzas, 18 de fevereiro de 2026, para cumprir seu papel histórico de encerrar oficialmente o Carnaval da capital potiguar. Chegando à sua 36ª edição, a agremiação não é apenas um bloco carnavalesco, mas um verdadeiro patrimônio cultural, consolidado como um dos pilares mais representativos da efervescente folia natalense, atraindo multidões que buscam prolongar a alegria momesca.

A jornada da alegria tem seu ponto de partida previsto para a manhã, com a tradicional concentração na Praça do Cruzeiro João Mendonça, um local já impregnado pela energia carnavalesca e que serve como epicentro para a efervescência inicial do bloco. A partir das 11h30, o vibrante cortejo dará início ao seu percurso pela icônica Avenida da Alegria, uma via que por si só evoca o espírito festivo e que será tomada por cores, ritmos e a empolgação dos foliões, desembocando na deslumbrante orla da zona Norte. A expectativa, como em todos os anos, é de uma verdadeira maré humana de foliões, que se reúnem para manter viva a tradição de celebrar o grand finale do Carnaval com uma explosão de música, dança e alegria contagiante nas areias da histórica praia da Redinha, um cenário perfeito para a despedida da festa.

Para garantir que o último grande arrastão da festa seja inesquecível e à altura de sua reputação, a programação musical foi cuidadosamente elaborada, contando com a energia de renomados artistas em trios elétricos. O palco móvel será animado pelo carisma do cantor Sergynho Pimenta, a versatilidade da Banda Detroit, o ritmo contagiante da Banda Montagem, a irreverência da Fobica do Jubila e o talento de Alexandre Piter. Juntos, esses nomes prometem um repertório diversificado que fará o público dançar e cantar do início ao fim, transformando cada metro da Redinha em um epicentro de celebração e adeus à folia.

Décadas de Tradição e Reconhecimento Cultural

A história do “Baiacu na Vara” remonta a 1990, quando a visão e a paixão da produtora cultural Cristina Medeiros deram vida a essa iniciativa. Concebido como uma homenagem e inspiração no icônico “Bacalhau do Batata”, bloco que tradicionalmente encerra o Carnaval de Olinda, em Pernambuco, o “Baiacu” nasceu de uma brincadeira despretensiosa entre amigos, com o intuito de estender um pouco mais a festividade. No entanto, o que começou como uma singela manifestação ganhou uma dimensão surpreendente ao longo dos anos. A cada edição, o movimento cresceu exponencialmente em número de participantes e em reconhecimento, transformando-se de um evento local em um dos maiores e mais reverenciados blocos de Natal, um testemunho de sua capacidade de conectar pessoas e preservar a alegria da folia com uma identidade própria e marcante.

Com uma trajetória que se aproxima das quatro décadas, o “Baiacu na Vara” transcendeu seu status de bloco para se firmar como um símbolo indelével da identidade carnavalesca da Zona Norte de Natal. A relevância cultural do bloco foi oficialmente reconhecida em 2022, quando foi declarado patrimônio cultural de natureza imaterial do município, através da Lei nº 7.297/2022. Este reconhecimento não apenas salvaguarda a tradição do bloco, mas também sublinha sua importância inestimável para a cultura popular potiguar, garantindo que suas raízes e sua essência sejam preservadas para as futuras gerações, perpetuando o legado de festa e comunidade que o bloco representa.

Mantendo sua essência com o formato vibrante de trio elétrico e o arrastão pelas ruas que convida a todos os que ainda têm energia para foliar, o “Baiacu na Vara” reafirma, a cada edição, sua inegável força como uma autêntica manifestação cultural. Mais do que uma festa, ele se estabelece como um precioso ponto de encontro de gerações, onde pais e filhos, avós e netos, compartilham a mesma alegria e criam novas memórias carnavalescas. Assim, o bloco cumpre sua missão: encerrar oficialmente o ciclo carnavalesco de Natal com uma mescla perfeita de irreverência, tradição e uma maciça e calorosa participação popular, deixando um gostinho de quero mais até o próximo ano, quando a Redinha se vestirá novamente de festa para a grande despedida.

Deixe um comentário

Your email address will not be published.