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Um estudo revolucionário, focado em proteínas preservadas em dentes de Homo erectus com aproximadamente 400 mil anos, promete reescrever o que sabemos sobre a evolução humana. A análise, realizada em dentes provenientes de três sítios arqueológicos na China, revelou uma variante genética surpreendente que também é encontrada nos enigmáticos denisovanos.

Descobertas em dentes antigos

Pesquisadores da China analisaram seis dentes antigos, extraídos de sítios como Zhoukoudian, Hexian e Sunjiadong. Devido à idade avançada do material, o DNA tradicional não pôde ser recuperado. No entanto, o esmalte dentário, conhecido por sua excepcional resistência, permitiu a preservação de fragmentos proteicos.

Foram identificadas duas variantes incomuns da ameloblastina, uma proteína do esmalte. Uma dessas variantes é inédita em hominídeos conhecidos, sugerindo uma linhagem específica de Homo erectus no Leste Asiático. A outra variante já havia sido associada aos denisovanos, indicando possíveis interações e trocas genéticas entre esses grupos ancestrais.

O mistério dos denisovanos

Os denisovanos continuam sendo um dos grupos mais obscuros na história da evolução humana. As poucas evidências encontradas – principalmente dentes e fragmentos ósseos – levantam questões sobre sua diversidade populacional, extensão geográfica e o período de sua existência.

Evidências recentes sugerem que os denisovanos eram parentes próximos dos Neandertais e compartilhavam ancestralidade com humanos modernos. A descoberta de uma variante proteica comum entre o Homo erectus analisado e os denisovanos reforça a hipótese de que o fluxo genético entre diferentes populações era mais comum do que se pensava.

Conexões genéticas com humanos modernos

A variante genética ligada aos denisovanos também foi detectada em algumas populações humanas atuais, corroborando estudos que já apontavam para a herança genética denisovana em nós. Os pesquisadores especulam que essa variante pode ter se originado no Homo erectus e, posteriormente, transmitida aos denisovanos e, finalmente, aos humanos modernos.

Apesar da dificuldade em obter um genoma completo de Homo erectus, este estudo abre novas avenidas para a compreensão das complexas migrações e interações que moldaram a linhagem humana. A pesquisa foi publicada na renomada revista científica Nature.

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