Teerã, Irã – A agência de notícias dos Ativistas dos Direitos Humanos (HRANA), com sede nos Estados Unidos, divulgou neste sábado, 17 de janeiro de 2026, um balanço alarmante dos protestos que têm abalado o Irã: o número de mortos ultrapassou a marca de 3 mil. A informação surge em um momento em que há relatos de um “ligeiro aumento” na atividade da internet no país, após um extenso período de oito dias de apagão digital generalizado.
Segundo o relatório da HRANA, que se dedica a verificar informações sobre a situação dos direitos humanos no Irã, foram confirmadas 3.090 mortes. Deste total, 2.885 são identificados como manifestantes. Essas cifras emergem em um contexto onde relatos de moradores indicam que a repressão governamental parece ter, em grande medida, sufocado as manifestações de rua por enquanto. Concomitantemente, a mídia estatal iraniana tem noticiado um número crescente de prisões.
A capital, Teerã, tem apresentado um cenário de relativa calma nos últimos quatro dias, de acordo com relatos de diversos moradores contatados pela agência de notícias Reuters. Embora drones tenham sido avistados sobrevoando a cidade, não havia sinais de grandes aglomerações ou protestos em andamento nas quintas-feiras (15) e sextas-feiras (16), conforme detalhado pelos residentes, que optaram por manter o anonimato por razões de segurança.
Um morador de uma cidade localizada ao norte do país, às margens do Mar Cáspio, também descreveu ruas tranquilas. Os protestos, que tiveram início em 28 de dezembro, foram inicialmente motivados por dificuldades econômicas. Contudo, rapidamente evoluíram para manifestações de larga escala, com demandas que visavam o fim do regime clerical e da República Islâmica. A situação atingiu seu ápice de violência no final da semana passada, gerando confrontos intensos.
Relatos de grupos de oposição e de um funcionário iraniano indicam que mais de 2 mil pessoas teriam perecido nos distúrbios, configurando-se como os piores levantes internos desde a Revolução Islâmica de 1979 no Irã. Estes eventos sublinham a profundidade da insatisfação social e política no país.
No âmbito digital, o grupo de monitoramento de internet NetBlocks compartilhou uma atualização na rede social X: “Métricas mostram um ligeiro aumento na conectividade da internet no #Irã esta manhã”, após um período de interrupção que totalizou 200 horas. Apesar do ligeiro avanço, a conectividade permaneceu em aproximadamente 2% dos níveis considerados normais, evidenciando a persistência de restrições significativas.
Alguns iranianos que residem no exterior relataram nas redes sociais ter conseguido enviar mensagens para contatos dentro do Irã no início da manhã deste sábado. Essa retomada parcial da comunicação oferece um vislumbre de esperança e um canal para a disseminação de informações.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia emitido ameaças de “medidas muito duras” caso o Irã executasse manifestantes, comentou sobre os eventos. Ele afirmou ter respeito pelo fato de que “todos os enforcamentos programados para ontem (mais de 800) foram cancelados pela liderança do Irã. Obrigado!”. No entanto, o Irã não havia anunciado planos para tais execuções em massa, nem comunicado oficialmente o cancelamento de quaisquer procedimentos desse tipo.
Relatos de estudantes e peregrinos indianos que retornavam do Irã descrevem períodos de confinamento em suas acomodações durante a estadia no país, com severas restrições para se comunicar com suas famílias. Uma estudante de medicina do terceiro ano em uma universidade de Teerã, Z Syeda, compartilhou um relato perturbador: “Só ouvimos relatos de protestos violentos, e um homem pulou na frente do nosso carro segurando um bastão em chamas, gritando algo no idioma local, com raiva visível nos olhos”.
O Ministério das Relações Exteriores da Índia, em comunicado na sexta-feira, informou que voos comerciais estavam disponíveis e que Nova Déli tomaria as medidas necessárias para garantir a segurança e o bem-estar de seus cidadãos no Irã.
Fonte: CNN Brasil

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