Em um cenário nacional onde a maioria dos estados tem expandido suas aplicações em obras e infraestrutura, o Rio Grande do Norte se destaca negativamente ao registrar a mais acentuada redução nos investimentos públicos. Dados consolidados apontam que, entre janeiro e outubro de 2025, o governo potiguar diminuiu seus aportes em impressionantes 40,8%, contrastando fortemente com a tendência de crescimento observada em outras 26 unidades federativas.
É crucial entender a natureza dos investimentos públicos. Diferentemente do custeio – que abrange as despesas operacionais e corriqueiras do setor público, como pagamento de salários, aquisição de materiais de consumo e manutenção dos serviços –, os investimentos representam um incremento direto no patrimônio e na capacidade de provisão de bens e serviços do Estado. Isso inclui a execução de obras de infraestrutura, a construção de edifícios públicos, a aquisição de maquinário e equipamentos de ponta, todos elementos fundamentais para o desenvolvimento econômico e social a longo prazo e para a melhoria da qualidade de vida da população.
Essas informações foram compiladas a partir de relatórios detalhados sobre a execução orçamentária, que são formalmente submetidos pelos próprios governos estaduais à Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Um levantamento abrangente, divulgado na última segunda-feira, 12 de janeiro, pelo respeitado jornal Valor Econômico, trouxe à luz essas disparidades. É importante notar que os números referentes ao ano de 2025 ainda não estão em sua totalidade fechados, uma vez que os estados têm até o final deste mês para apresentar os dados referentes aos últimos dois meses do ano passado, novembro e dezembro.
Em termos absolutos, o montante investido pelo Governo do Rio Grande do Norte no período de janeiro a outubro de 2025 totalizou R$ 370 milhões. Este valor posiciona o estado em uma posição desfavorável no ranking nacional, sendo o terceiro menor investimento entre todas as 27 unidades federativas. Apenas Rondônia (R$ 350 milhões) e Roraima (R$ 170 milhões) aplicaram menos em investimentos, apesar de a população do Rio Grande do Norte superar a soma das populações desses dois estados.
A análise comparativa revela um quadro de dinamismo em 16 estados e no Distrito Federal, que registraram aumento em seus investimentos. Desses, 13 observaram um crescimento superior a 10%, com destaque para nove deles – Goiás, Rio Grande do Sul, Amapá, Sergipe, Paraná, Maranhão, Acre, Paraíba e Pernambuco – que alcançaram aumentos reais superiores a 30%, indicando um forte impulso no desenvolvimento de projetos estratégicos.
No contexto regional do Nordeste, a queda nos investimentos foi um fenômeno isolado, com exceção do Rio Grande do Norte. A Bahia, outro estado da região, também apresentou uma redução, porém significativamente menor, de 6,1%. Mesmo assim, o investimento baiano no período analisado alcançou expressivos R$ 5,47 bilhões. A Paraíba, um estado com população e Produto Interno Bruto (PIB) inferiores aos do Rio Grande do Norte, demonstrou um compromisso mais robusto com o desenvolvimento, investindo quase R$ 1,8 bilhão, um montante quase cinco vezes superior ao registrado pelo estado potiguar.
A reportagem buscou contato com a Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz) do Rio Grande do Norte para obter esclarecimentos sobre os dados apresentados, mas não obteve resposta até o momento do fechamento desta edição.
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