O senador Rogério Marinho (PL-RN), atuando como coordenador político da articulação ligada a Flávio Bolsonaro, reuniu-se na última quinta-feira (14) com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro, realizado no gabinete do magistrado em Brasília, teve como pauta central a preocupação da defesa e do entorno do parlamentar com o fluxo contínuo de áudios vazados que conectam Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Preocupação com a integridade dos dados e “vazamentos seletivos”
Durante a audiência, Marinho manifestou formalmente ao ministro — que atua como relator do caso no STF — sua inquietação quanto à forma como informações sigilosas têm chegado à imprensa. Segundo o senador, a divulgação fragmentada de materiais, que fazem parte de um volume monumental de evidências — cerca de 7 terabytes de dados relacionados ao chamado “Caso Master” —, sugere uma prática de “vazamentos seletivos”.
Em declarações prestadas à CNN Brasil, o senador enfatizou a gravidade da situação: “Disse a ele que estamos preocupados com o vazamento seletivo contra Flávio e com a maneira como as coisas estão acontecendo, gerando insegurança sobre os rumos da investigação. Pedimos que esse vazamento seja apurado”, declarou Marinho, reforçando que a estratégia visa garantir que o processo judicial observe estritamente os ritos processuais, evitando condenações públicas precipitadas por meio de cortes de áudios ou documentos.
Dimensões políticas e estratégicas
Embora a pauta técnica figure como o motor oficial do encontro, analistas políticos apontam que a reunião possui forte carga estratégica. Nos corredores da Corte, comenta-se que o movimento de Marinho busca “medir a temperatura” do Supremo frente aos desdobramentos das denúncias. Como relator, André Mendonça detém o controle do ritmo e da condução do inquérito, tornando-o um nome central no tabuleiro político em que se insere o caso.
Para o grupo político de Flávio Bolsonaro, o objetivo é estancar o que classificam como uma “fritura” política antecipada, garantindo que o acesso aos 7 terabytes de dados ocorra dentro dos prazos legais e sob sigilo, até que as defesas possam se manifestar sobre o conteúdo integral das evidências coletadas pelos investigadores.

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