Os idealizadores da SAFiel apresentaram na última terça-feira, 28 de outubro de 2025, uma proposta para transformar o Corinthians em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF), com torcedores como acionistas. No entanto, o projeto tem encontrado resistência interna no clube.
Resistência e Falta de Diálogo
Carlos Teixeira, Maurício Chamati e Eduardo Salusse, fundadores da iniciativa, admitem enfrentar barreiras para levar a ideia ao Parque São Jorge. Eles relatam dificuldades em convencer conselheiros e dirigentes a dar prosseguimento ao plano.
Carlos Teixeira afirmou que ainda precisa “construir pontes” para fortalecer o projeto. Ele acusou o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, de não responder a diversas tentativas de contato após uma primeira reunião. Teixeira também mencionou que o presidente Osmar Stabile havia confirmado presença no evento de lançamento da SAFiel, mas não compareceu.
“Estamos nos esforçando para construir essas pontes. Nos reunimos com Romeu Tuma, depois enviei seis mensagens e ele resolveu não me atender. Lamento. A gente fica esperançoso porque não é falta de tentativa. Não construímos as pontes necessárias ainda, mas sabemos que muitas pessoas gostam do projeto. Vamos continuar insistindo”, declarou Carlos Teixeira.
O idealizador Maurício Chamati complementou que o projeto está “mais maduro”, mas depende da abertura dos órgãos internos do clube. “Entendemos que estamos em um estágio maduro do projeto, mas estamos abertos a ajustes. Depende muito da boa vontade deles e do engajamento da torcida”, disse Chamati.
Por sua vez, Romeu Tuma Júnior alega que os integrantes da SAFiel não protocolaram formalmente a proposta junto à Comissão de Reforma do Estatuto. Embora os idealizadores planejassem entregar o documento presencialmente nesta terça, o presidente Osmar Stabile informou ter a agenda cheia. O projeto será enviado por e-mail, e uma nova data para entrega física está sendo ajustada.
Estrutura da SAFiel e Próximos Passos
O próximo passo para a SAFiel seria a assinatura de um Memorando de Entendimentos, que submeteria a proposta aos trâmites internos do Corinthians. O texto passaria por um estudo de viabilidade e, se aprovado, seria encaminhado para a Assembleia Geral dos sócios.
A SAFiel, idealizada por Carlos Teixeira, Maurício Chamati, Eduardo Salusse e Lucas Brasil, propõe a transformação do Corinthians em uma SAF com gestão profissional, administrada por torcedores. Os corintianos poderiam adquirir ações a preços populares e votar nos conselheiros.
O modelo prevê quatro Conselhos: Administrativo, Fiscal, Cultural e de Governança, com integrantes eleitos pelos acionistas. A administração seria conduzida por executivos profissionais, contratados com base em capacidade e cumprimento de metas, e o departamento de futebol ficaria separado do clube associativo.
Para a aquisição de ações, há três modalidades: uma reserva popular (máximo de dez ações por torcedor), um varejo amplo para corintianos com maior poder aquisitivo e um grupo para investidores profissionais. Nenhum acionista poderá deter mais de 1,8% das ações, visando evitar concentração de poder, e a origem dos recursos deverá ser comprovada. A meta de arrecadação é de R$ 2,5 bilhões, destinados à quitação de dívidas e investimentos no futebol e na sede social.
Apesar da resistência específica ao projeto SAFiel, o tema SAF tem ganhado relevância no Corinthians. O anteprojeto da reforma do estatuto, apresentada pelo próprio Conselho Deliberativo em 27 de outubro de 2025, já prevê a transformação do clube em SAF. Contudo, este documento impõe condições que, segundo os idealizadores da SAFiel, podem inviabilizar o modelo proposto por eles.

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