O experiente técnico Ney Franco, com passagens notáveis por clubes brasileiros como o ABC Futebol Clube e o Cruzeiro, encontra-se atualmente vivenciando dias de profunda incerteza no Oriente Médio. À frente do Al-Hussein SC, uma das principais equipes da Jordânia, o treinador brasileiro e sua delegação estão retidos na capital do Catar, Doha, em decorrência da recente e dramática escalada do conflito envolvendo os Estados Unidos, o Irã e Israel, que tem transformado a região em um palco de crescente tensão geopolítica.
A situação foi inicialmente reportada pelo Bolinha News, da emissora 96FM, revelando que a equipe jordaniana havia chegado a Doha no sábado, dia 28 de fevereiro, pela manhã, para cumprir um compromisso pela prestigiada Champions League Asiática. Contudo, poucas horas após o desembarque, a região foi sacudida por uma ofensiva militar norte-americana direcionada ao Irã, que prontamente respondeu com contra-ataques. A gravidade da situação em Doha foi acentuada pelo fato de a cidade abrigar a maior base militar dos Estados Unidos no Oriente Médio, a Base Aérea de Al Udeid, um fator que elevou drasticamente o nível de alerta e insegurança na capital catariana.
Em um vídeo emocionante e comovente, enviado à página “A Voz Celeste”, um perfil de torcedores dedicado ao Cruzeiro, Ney Franco buscou tranquilizar seus familiares e amigos no Brasil, garantindo que todos os membros da delegação estão seguros, mas não deixou de relatar os momentos de intensa apreensão vividos. “A noite passada a gente viu alguns mísseis sendo interceptados no céu. Próximo da gente não aconteceu nada, mas escutamos umas três explosões de longe”, detalhou o treinador, descrevendo o cenário aéreo de defesa e os ruídos distantes que ecoavam na madrugada, sublinhando a proximidade da zona de conflito.
Conforme o relato de Franco, a partida de futebol que estava programada para a terça-feira, dia 3 de março, foi inevitavelmente cancelada. Além disso, a situação de segurança levou ao fechamento do espaço aéreo tanto do Catar quanto da Jordânia, o que impede, por ora, o retorno imediato da delegação para casa. “O que a gente mais quer agora é retornar para a Jordânia. Primeiramente, torcer para que essa guerra acabe”, expressou o técnico, com a voz carregada de preocupação, priorizando a segurança e a resolução do conflito sobre qualquer outro aspecto.
Apesar do cenário de tensão e incerteza, Ney Franco fez questão de reiterar que todos os integrantes da equipe permanecem em segurança. A delegação está confinada ao hotel, onde têm sido realizadas atividades físicas improvisadas para manter o condicionamento e a rotina dos atletas. “A gente não está podendo sair para treinar. Estou na sala de musculação agora, vamos fazer um treino aqui à noite”, informou o técnico, exemplificando os esforços para minimizar os impactos do isolamento e da falta de infraestrutura de treinamento habitual.
Do ponto de vista esportivo, o Al-Hussein SC atravessa um excelente momento. O clube lidera o campeonato nacional da Jordânia, está avançando na disputa da Copa da Jordânia e também participa ativamente da Champions continental, demonstrando uma performance consistente. “Estamos num momento bom no futebol da Jordânia, liderando o campeonato. Queremos voltar o mais rápido possível para preservar essa liderança”, destacou o técnico, revelando a dualidade entre a preocupação com a segurança e o desejo de retomar os compromissos desportivos em um momento tão promissor.
Enquanto a delegação aguarda ansiosamente a reabertura do espaço aéreo e a definição sobre a continuidade das competições, Ney Franco mantém contato constante com seus familiares, reforçando a todo momento que a segurança do grupo é a prioridade máxima. A expectativa geral é que a complexa situação geopolítica na região se estabilize em breve, permitindo que a equipe do Al-Hussein SC possa finalmente retornar à Jordânia nos próximos dias e retomar suas atividades dentro de um ambiente de maior tranquilidade.

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