A Fórmula 1 testemunha um novo capítulo para a América Latina com a ascensão de Gabriel Bortoleto, que correrá no Grande Prêmio do Brasil, e do argentino Franco Colapinto. Ambos os pilotos estão gerando grandes expectativas, marcando uma renovação na representatividade latino-americana na categoria, que viu o protagonismo diminuir desde os tempos de lendas como Juan Manuel Fangio e Ayrton Senna.
A presença latino-americana no automobilismo também será reforçada em 2026 com o retorno do mexicano Sergio “Checo” Pérez, de 35 anos. O vice-campeão da F1 em 2023 e piloto de longa trajetória competirá com a Cadillac, que se tornará a 11ª equipe do grid da categoria máxima.
Destaque de Gabriel Bortoleto
Gabriel Bortoleto, de 21 anos, da equipe Sauber, é um dos principais nomes desta nova fase. Ele competirá neste domingo no GP do Brasil, em Interlagos, onde o britânico Lando Norris (McLaren) defende a liderança do campeonato mundial. Em sua temporada de estreia, Bortoleto já pontuou em cinco GPs, alcançando o sexto lugar no GP da Hungria em agosto e o décimo no GP do México.
Apesar de seus 19 pontos o colocarem atrás de Kimi Antonelli (Mercedes), com 97, e Isack Hadjar (Racing Bulls), com 39, o brasileiro tem sido elogiado por seu desempenho em um carro considerado mais modesto da Sauber, que será rebatizada como Audi no próximo ano. Rodrigo Mattar, jornalista especializado, afirma que o impacto de Bortoleto, após ser campeão da F3 em 2023 e da F2 em 2024, “pode inspirar outros pilotos” e “abrir horizontes para o Brasil e a América Latina”. Jonathan Wheatley, diretor esportivo da Sauber, complementa, elogiando a “fantástica ética de trabalho” de Bortoleto e o descrevendo como a “futura estrela que esperamos que seja”.
Franco Colapinto e Novos Talentos
Franco Colapinto, de 22 anos, pela Alpine, foi uma sensação em 2024. Embora tenha iniciado 2025 fora do grid, ele recuperou seu espaço com a equipe. Sua ascensão “revolucionou seu país”, mas o desempenho nesta temporada, sem pontos e no fim da tabela, gerou incertezas sobre seu futuro. Colapinto expressa o orgulho da crescente presença latina na F1, apesar das “20 vagas, superprivilegiadas” que tornam a categoria tão competitiva.
Além de Bortoleto e Colapinto, o continente vislumbra futuras promessas como os brasileiros Rafael Câmara e Felipe Drugovich, o paraguaio Joshua Dürksen e o colombiano Sebastián Montoya, filho do lendário Juan Pablo Montoya. Rafael Câmara, de 20 anos, foi campeão da F3 neste ano com a equipe Trident e, em 2026, correrá na F2 pela Invicta Racing, onde será companheiro de Dürksen, de 21 anos. A Invicta conquistou os títulos de construtores em 2024 (com Bortoleto) e 2025, solidificando sua reputação no desenvolvimento de jovens talentos, conforme destacado por Câmara.
Impacto Econômico e Patrocínios
A presença de pilotos latino-americanos é impulsionada também por um fator financeiro. Rodrigo Mattar explica que “muitos pilotos, no início de suas carreiras, pagam para correr”, evidenciando o enorme peso dos patrocinadores na F1. A entrada de empresas latino-americanas como Mercado Livre (Argentina) e Claro (México) pode ser um trampolim decisivo para novos talentos.
As cores do Mercado Livre já apareceram nos carros da Alpine de Colapinto e Pierre Gasly no GP dos Estados Unidos, em uma campanha que contou com a participação do futebolista Neymar. Mercados gigantes como Brasil (212 milhões de habitantes) e México (130 milhões) são cruciais para a categoria. Dados da consultoria Bites revelam que as visitas mensais ao site oficial da F1 vindas do Brasil superaram 1 milhão em média em 2025, com Bortoleto no grid, um aumento significativo em relação às 629 mil em 2024. Joaquim Lo Prete, gerente da Absolut Sport, afirma que a empresa dobrou a venda de ingressos para o GP de Interlagos neste ano, indicando que a ascensão desses pilotos “pode ser um divisor de águas”.

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