A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou uma mudança significativa na prescrição de medicamentos controlados. A partir de agora, receitas médicas eletrônicas, incluindo as tradicionais receitas amarelas e azuis, serão permitidas em todo o território nacional. Esta nova regulamentação estabelece um padrão inédito para a rastreabilidade, segurança e monitoramento de receituários, representando um grande passo para a saúde digital no Brasil.
Fortalecimento da Segurança com Prescrição Eletrônica
A nova resolução abrange diversos tipos de notificações e receitas controladas, como as de tipos A, B, B2, Talidomida, Retinoides, além das receitas de controle especial e sujeitas à retenção. Para que sejam válidas, as prescrições eletrônicas deverão ser geradas por sistemas integrados ao Sistema Nacional de Controle de Receituários (SNCR). Esta plataforma centralizada garantirá uma numeração única para cada receituário, assegurando o registro obrigatório de seu uso e substituindo o antigo processo em papel.
Segundo informações do Ministério da Saúde, a implementação deste novo modelo visa combater erros na medicação, reduzir a falsificação de receitas e o consumo indevido de substâncias controladas, como antimicrobianos e anabolizantes. Uma das mudanças práticas é a eliminação da necessidade de duas vias físicas para receitas de controle especial, uma vez que todo o histórico será digitalmente registrado.
Transição para o Digital Planejada até 2026
A expectativa é que o SNCR esteja plenamente funcional até 1º de junho de 2026. Após essa data, haverá um período de carência de 30 dias para a aceitação de receitas emitidas sem a numeração do sistema. A adaptação será progressiva, exigindo que plataformas digitais, profissionais de saúde e farmácias se ajustem às novas diretrizes.
A iniciativa, que contou com forte participação da Saúde Digital Brasil (SDB), alinha-se às demandas por maior segurança e eficiência no sistema de saúde. Pesquisas recentes indicam que a maioria dos profissionais prescritores apoia a digitalização das receitas, apontando maior segurança e continuidade no cuidado ao paciente, especialmente com o avanço da telessaúde.
Os pontos chave desta nova regulamentação incluem:
- Emissão eletrônica obrigatória para todos os receituários controlados.
- Numeração única via SNCR para garantir rastreabilidade completa.
- Substituição do arquivamento físico pelo registro eletrônico.
- Uso obrigatório de certificado ICP-Brasil para assinaturas digitais em notificações e receitas de controle especial.
- Validade das receitas eletrônicas condicionada à integração com o SNCR.

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