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O Banco do Brasil registrou um declínio significativo em seu desempenho financeiro, encerrando o ano de 2025 com uma acentuada queda de 45,4% no lucro líquido ajustado, que totalizou R$ 20,7 bilhões. O balanço financeiro, divulgado nesta quarta-feira (11) e referente ao período, acende um sinal de alerta no mercado, com a instituição atribuindo o resultado a um cenário desafiador marcado, principalmente, pelas novas e rigorosas regras contábeis impostas ao sistema financeiro e pelo preocupante avanço da inadimplência em sua carteira de crédito.

No que tange ao último trimestre de 2025, o banco estatal reportou um lucro de R$ 5,7 bilhões. Este montante representa uma retração substancial de 47,2% em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior, 2024. Contudo, houve uma modesta recuperação em relação ao terceiro trimestre do próprio ano, indicando uma leve melhora sequencial. A principal explicação para a pressão sobre os resultados anuais reside na mudança do modelo de provisões para perdas. Adotando estimativas de risco futuro – uma exigência das novas diretrizes contábeis, alinhadas a padrões internacionais –, essa alteração impactou negativamente o banco, subtraindo cerca de R$ 1 bilhão em receitas de crédito do resultado consolidado do ano, refletindo uma postura mais conservadora na avaliação de riscos.

Apesar do contexto adverso, caracterizado pela diminuição da rentabilidade, o Banco do Brasil demonstrou resiliência ao ampliar sua concessão de crédito, finalizando 2025 com uma robusta carteira de R$ 1,2 trilhão. No entanto, o ponto mais crítico e de maior preocupação é a inadimplência, especificamente a que se estende por mais de 90 dias, um indicador chave da saúde da carteira de crédito. Este percentual alarmante saltou de 3,16% para 5,17% no período, o que representa um aumento considerável e um desafio para a gestão de riscos do banco. O avanço da inadimplência foi impulsionado, sobretudo, pelas operações nos setores do agronegócio – historicamente um pilar forte do BB, mas que enfrentou desafios específicos em 2025, possivelmente relacionados a questões climáticas ou de mercado – e, de forma mais ampla, nas operações de cartão de crédito, refletindo um cenário de maior endividamento e dificuldade de pagamento por parte dos consumidores brasileiros.

Diante desse panorama, a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, apresentou as projeções para 2026 com um tom de otimismo moderado e estratégias claras para reverter o quadro. A expectativa é de uma retomada gradual da rentabilidade, com o lucro líquido ajustado estimado para oscilar entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. Para alcançar esses objetivos, a instituição financeira aposta em um crescimento moderado de sua carteira de crédito, buscando expandir de forma sustentável e com menor exposição a riscos. Paralelamente, haverá um foco no aumento das receitas provenientes de serviços, diversificando as fontes de faturamento e reduzindo a dependência da margem de juros. Contudo, Medeiros ressaltou que o banco terá de gerenciar custos operacionais mais elevados e lidar com o aumento das despesas administrativas, desafios que exigirão gestão eficiente e disciplina financeira para a concretização das metas.

Informações baseadas em apuração do Metrópoles.

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