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Um levantamento minucioso, conduzido pelo jornal O Estado de S. Paulo com base em dados oficiais da Receita Federal, desvendou a vasta extensão de uma rede de empresas interligadas ao empresário Daniel Vorcaro e a executivos do Banco Master. A análise aponta que essa teia empresarial abrange um número expressivo de mais de 2,5 mil Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJs). A investigação concentrou-se em negócios nos quais sócios, ex-sócios e administradores do Banco Master detêm participação direta ou exercem funções gerenciais, estendendo-se também a empresas associadas a parceiros desses empreendimentos.

O setor imobiliário desponta como o principal polo de concentração dessa rede, englobando um total de 1.246 empresas. Essa predominância é explicada, em parte, pela prática comum no mercado de utilizar um CNPJ distinto para cada novo empreendimento imobiliário. A metodologia do estudo não se limitou às empresas diretamente ligadas aos integrantes do Banco Master, mas foi estrategicamente ampliada para abarcar também os negócios de sócios em outros grupos empresariais, garantindo uma visão abrangente da estrutura.

Além da figura de Daniel Vorcaro, o levantamento destaca outros nomes relevantes associados ao grupo Master, como Luiz Antônio Bull e Augusto Ferreira Lima. Ambos figuram como alvos da Operação Compliance Zero, uma investigação que apura crimes contra o sistema financeiro nacional e supostas fraudes na emissão de R$ 12 bilhões em títulos que teriam sido falsificados. Até o momento, nem Bull nem Lima se manifestaram publicamente sobre o assunto. A defesa de Daniel Vorcaro, contudo, assegurou que seu cliente tem colaborado ativamente com as autoridades investigativas.

Especialistas em direito empresarial e finanças, consultados pelo Estadão, apontam que, embora a existência de um grande volume de CNPJs por si só não configure ilegalidade, a magnitude observada neste caso específico levanta questões relevantes. A grande quantidade de entidades empresariais pode, segundo os especialistas, complicar o rastreamento de fluxos financeiros, especialmente quando envolvem fundos de investimento. Advogados consultados pela reportagem ressaltam que tal prática, com um número tão elevado de CNPJs, não é corriqueira mesmo entre grandes conglomerados empresariais, e, portanto, pode gerar questionamentos acerca de governança corporativa e transparência. No entanto, admitem que, em setores dinâmicos como o imobiliário e o financeiro, a constituição de múltiplas empresas é frequentemente vista como uma estratégia empresarial válida.

Com informações do Estadão

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