BRASÍLIA, 11 de janeiro de 2026 – A complexa teia de relações econômicas e diplomáticas entre Brasil e Venezuela enfrenta um novo capítulo de desafios, com a dívida do país vizinho perante o Brasil atingindo a marca alarmante de US$ 1,856 bilhão (equivalente a aproximadamente R$ 10 bilhões, considerando a cotação atual). Este montante, que inclui juros de mora acumulados, encerrou o ano de 2025 com um incremento significativo, conforme apontam dados oficiais que vêm sendo monitorados de perto por órgãos governamentais brasileiros.
O cenário de inadimplência foi agravado consideravelmente ao longo do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Somente nesse período, que se estende de janeiro de 2023 até o fechamento dos dados para 2025, o débito venezuelano cresceu em cerca de US$ 312 milhões. Esse aumento representa uma escalada notável em relação aos US$ 1,54 bilhão registrados anteriormente, evidenciando uma deterioração contínua da situação financeira entre os dois países, apesar dos esforços de reaproximação diplomática.
A origem deste vultoso passivo remonta a uma série de empréstimos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em gestões anteriores. Tais financiamentos tinham como objetivo primordial impulsionar a participação de grandes empreiteiras brasileiras em projetos de infraestrutura estratégica na Venezuela, fomentando a exportação de serviços e engenharia nacional. Entre as obras beneficiadas estavam a expansão do metrô da capital Caracas, a edificação da Siderúrgica Nacional e a construção do Estaleiro Astialba, iniciativas que visavam modernizar a infraestrutura venezuelana com tecnologia e mão de obra brasileiras.
Em um esforço para buscar uma solução para o impasse, o governo brasileiro, sob a liderança do presidente Lula, implementou diversas iniciativas diplomáticas e financeiras para reativar as negociações. Em 2023, por exemplo, após uma visita do presidente venezuelano Nicolás Maduro a Brasília, foi estabelecida uma mesa de diálogo com o intuito de discutir termos para a conciliação da dívida. No entanto, apesar das propostas apresentadas e da abertura brasileira, documentos do Ministério da Fazenda indicam que a Venezuela não formalizou respostas satisfatórias às tentativas de acordo, deixando o processo em um limbo.
O mecanismo financeiro por trás desses empréstimos funcionava da seguinte forma: o BNDES desembolsava os recursos em reais diretamente para as empresas brasileiras contratadas para executar as obras. Em contrapartida, a Venezuela, como tomadora final, tinha o compromisso de efetuar os pagamentos ao BNDES em dólares americanos. Contudo, em casos de inadimplência por parte do governo venezuelano, como o que se observa atualmente, as garantias do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) eram acionadas. Este fundo, mantido pela União, cobria o risco de crédito, transferindo o saldo devedor diretamente para o Tesouro Nacional, o que, em última instância, representa um ônus para o contribuinte brasileiro.
Até o presente momento, a situação permanece sem uma perspectiva clara de resolução. Não há previsões concretas sobre quando o governo venezuelano poderá ou se disporá a quitar o débito acumulado. Enquanto isso, o montante continua a ser atualizado periodicamente com os encargos contratuais, e o Ministério da Fazenda, juntamente com o Itamaraty, segue empenhado em esforços administrativos e diplomáticos para a cobrança, buscando uma saída para este que se tornou um dos maiores calotes na história das relações bilaterais do Brasil.

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