A Intel divulgou resultados financeiros para o primeiro trimestre que ultrapassaram as projeções do mercado, oferecendo um sinal promissor de recuperação após um período desafiador. A performance robusta impulsionou significativamente as ações da gigante dos semicondutores, com uma alta de até 16% após o encerramento das negociações.
Os dados apresentados pela companhia revelaram um lucro por ação ajustado de US$ 0,29 (R$ 1,46), superando amplamente a expectativa de US$ 0,01 (R$ 0,05) dos analistas consultados pela LSEG. A receita também superou as previsões, atingindo US$ 13,6 bilhões (R$ 68,3 bilhões), em contraste com a estimativa de US$ 12,4 bilhões (R$ 62,4 bilhões).
Nos últimos meses, a Intel tem atraído atenção em Wall Street. As ações já acumulavam uma valorização superior a 80% no ano até o fechamento da última quinta-feira (23), após um ganho de 84% em 2025. A empresa tem contado com o suporte governamental dos Estados Unidos, que se tornou um dos seus principais acionistas visando fortalecer a produção nacional de semicondutores. Investimentos bilionários de empresas como Nvidia e SoftBank também contribuíram para o cenário positivo.
Apesar do renovado interesse dos investidores, a Intel enfrentou dificuldades em competir com nomes como Nvidia e AMD no início da revolução da inteligência artificial (IA), o que impactou seu crescimento recente. No entanto, os resultados atuais indicam uma possível inversão dessa tendência.
A receita registrou um crescimento de 7,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando somou US$ 12,7 bilhões (R$ 63,8 bilhões). Esse aumento interrompe uma sequência de quedas anuais observada em cinco dos sete trimestres anteriores.
Para o segundo trimestre, a empresa projeta receitas entre US$ 13,8 bilhões e US$ 14,8 bilhões (R$ 69,3 bilhões/R$ 74,3 bilhões), com um lucro por ação ajustado estimado em US$ 0,20 (R$ 1,01). Essas projeções também superam as expectativas do mercado, que esperava receitas de US$ 13,1 bilhões (R$ 65,3 bilhões) e lucros de US$ 0,09 (R$ 0,45) por ação.
O principal impulsionador desse crescimento foi a divisão de data centers, que viu sua receita aumentar em 22%, totalizando US$ 5,1 bilhões (R$ 25,6 bilhões). Esse desempenho é reflexo da crescente demanda por unidades centrais de processamento (CPUs), impulsionada pelas novas aplicações de IA.
Essa mudança no mercado, que antes era dominado por unidades de processamento gráfico (GPUs), especialmente da Nvidia, abre novas oportunidades para a Intel com a evolução das aplicações de IA e o consequente aumento da demanda por CPUs. Esse cenário também sustentou a recente aquisição da Intel de 49% de uma fábrica de chips na Irlanda por US$ 14 bilhões (R$ 70,3 bilhões).
Apesar da melhora operacional, a Intel ainda reportou um prejuízo líquido de US$ 4,3 bilhões (R$ 21,6 bilhões), ou US$ 0,73 (R$ 3,67) por ação, no primeiro trimestre. Este valor representa um aumento em relação à perda de US$ 887 milhões (R$ 4,4 bilhões), ou US$ 0,19 (R$ 0,95) por ação, registrada no mesmo período do ano anterior.
O modelo de negócios da Intel, que a diferencia de muitos concorrentes, envolve tanto o projeto quanto a fabricação de seus próprios chips. A receita da divisão de fundição da empresa cresceu 16% em relação ao ano anterior, alcançando US$ 5,4 bilhões (R$ 27,1 bilhões). Recentemente, a Intel lançou os processadores Core Ultra Series 3 para PCs e os processadores Xeon 6+ para data centers. O Google anunciou que utilizará múltiplas gerações de CPUs da Intel para suas cargas de trabalho de IA.
Os novos processadores são fabricados com a tecnologia 18A em uma nova fábrica no Arizona. Um dos desafios da Intel será convencer clientes da TSMC a migrar para sua tecnologia, além de superar questões relacionadas a atrasos em processos de fabricação anteriores e defeitos em wafers do processo 18A.
A expectativa em torno da tecnologia de próxima geração 14A da Intel, prevista para 2028, é alta. O CEO Lip-Bu Tan confirmou que a empresa está “investindo pesado” na tecnologia 14A, com múltiplos clientes avaliando-a ativamente. Elon Musk, através de sua participação no complexo de chips Terafab, pode se tornar um cliente chave para essa nova fase, com o objetivo de auxiliar no projeto, fabricação e empacotamento de chips de altíssimo desempenho para suas empresas.

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