Foto: Reprodução

Nota 9,5/10

Se existia alguma dúvida de que a televisão pode alcançar o status de “arte pura”, a nova minissérie da Netflix, Ripley, veio para dissipá-la. Adaptada do célebre romance de Patricia Highsmith, O Talentoso Ripley, esta nova versão de oito episódios não é apenas mais uma adaptação: é um “masterpiece” visual e narrativo que transporta o espectador para uma Itália dos anos 60 sombria e fascinante. 

Uma Viagem Visual Pela Itália dos Anos 60

A série percorre a Itália de norte a sul, começando pela deslumbrante Costa Amalfitana (com o vilarejo de Atrani como protagonista), passando pelo caos histórico de Roma, a decadência artística de Nápoles, Palermo e até chegar aos canais enigmáticos de Veneza.

A escolha pelo preto e branco não foi apenas estética, mas uma decisão de direção magistral. A fotografia utiliza o jogo de luz e sombras (chiaroscuro) para refletir a dualidade da alma de Tom Ripley. Cada frame parece uma fotografia de moda ou de arquitetura da época, elevando a produção a um patamar de sofisticação raramente visto no streaming. 

Direção, Fotografia e Interpretação: A Trindade Perfeita

Sob a direção de Steven Zaillian, a série adota um ritmo deliberado, quase hipnótico. Não há pressa; a tensão é construída através de olhares, silêncios e detalhes arquitetônicos.

  • Andrew Scott entrega uma interpretação arrebatadora. Seu Tom Ripley não é apenas um vigarista, mas um camaleão inquietante, cuja inteligência é tão fascinante quanto perigosa.
  • Dakota Fanning e Johnny Flynn completam o elenco com atuações sólidas, criando o contraste perfeito para a frieza de Ripley.

Um Castelo de Mentiras e o Destino Irônico

A trama é um verdadeiro castelo de mentiras que parece prestes a desmoronar a cada segundo. A narrativa deixa o espectador com uma curiosidade insaciável, mantendo o suspense no nível máximo enquanto Ripley tece sua teia de enganos.

O que mais impressiona é a sensação de que o destino, de forma irônica, parece estar sempre “do lado errado”. Mesmo quando o cerco aperta e a verdade ameaça emergir, as peças se movem a favor do anti-herói, criando uma frustração deliciosa e uma tensão constante em quem assiste.

Conclusão: Um ¨Capolavoro¨ Autêntico

Ripley é, sem dúvida, um ¨capolavoro¨ autêntico. É uma experiência sensorial que exige atenção e recompensa o público com uma beleza estética inigualável e um roteiro afiado. Para os amantes do cinema clássico e do suspense psicológico, é uma obra obrigatória.

Se você procura por perfeição na direção, fotografia impecável e uma história que te prende do primeiro ao último minuto, Ripley na Netflix é necessariamente o seu próximo destino.

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