A investigação sobre o possível vazamento de questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 ganhou um novo capítulo. Uma análise realizada pelo jornal O Globo indica que o estudante de Medicina Edcley Teixeira, já sob suspeita de divulgar antecipadamente questões do exame, pode ter tido acesso também a itens aplicados no primeiro dia de provas. A apuração inicial concentrava-se nas questões do segundo dia do exame.
Além das nove questões previamente identificadas como potencialmente vazadas no segundo dia do Enem, a análise agora aponta que ao menos duas questões das áreas de Linguagens e Ciências Humanas apresentam semelhanças notáveis com conteúdos presentes em materiais de estudo e apostilas utilizadas por Edcley Teixeira em seus cursos preparatórios. Até o momento, o Ministério da Educação (MEC) confirmou a anulação de apenas três itens, e a Polícia Federal (PF) foi acionada para conduzir uma investigação completa sobre o caso, buscando determinar a extensão do possível comprometimento da integridade do exame.
Os materiais sob análise revelam situações consideradas “praticamente idênticas” às cobradas no Enem. Um exemplo citado é um exercício sobre a produção de tijolos, que apresentava a mesma situação-problema e dados similares à questão oficial, com apenas uma das alternativas alterada. Essa semelhança levanta questionamentos sobre a segurança do processo de elaboração e aplicação das provas. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pela aplicação do Enem, declarou que não pretende anular novos itens, argumentando que possíveis “memórias” de questões pré-testadas ao longo dos anos não representam uma ameaça à integridade do exame. Edcley Teixeira, por sua vez, alega ter participado desses pré-testes, e vinha publicando antecipações de questões desde março, incluindo itens de probabilidade e Química que efetivamente apareceram na prova.
O caso ganhou projeção nacional após a divulgação de uma transmissão ao vivo (live) em que Edcley Teixeira apresentava exercícios com conteúdo quase idêntico ao das questões aplicadas no segundo dia do Enem. Diante da repercussão, o MEC determinou a anulação de três questões e confirmou o acionamento da Polícia Federal, que cumpriu um mandado de busca e apreensão na residência do estudante, localizada no estado do Ceará. O ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que o resultado do Enem 2025 será mantido e que não há previsão de anulação completa da avaliação, apesar da crescente pressão pública e das evidências que surgem com o aprofundamento das investigações.
Informações obtidas pelo portal G1 revelam que Edcley Teixeira teria pago participantes de um concurso para memorizar questões e repassá-las, oferecendo valores a partir de R$ 10. O estudante agora alega que essa prática ocorreu “apenas este ano”. Em suas declarações mais recentes, Edcley Teixeira argumenta que as semelhanças entre as questões do Enem e os seus materiais de estudo são meras coincidências, e que o uso das questões em seus materiais seria uma forma de “inspiração” baseada em suas memórias dos pré-testes, negando qualquer intenção de fraudar o processo seletivo.
